41º Conecef aprova plano de lutas e reivindicações das empregadas e empregados da Caixa
Data: 19/06/2026 às 14:48
Fonte: Contraf-CUT

As empregadas e os empregados da Caixa Econômica Federal definiram, nesta sexta-feira (19), em São Paulo, o plano de lutas e as reivindicações específicas que serão defendidas pelo movimento sindical nas negociações com o banco durante a Campanha Nacional dos Bancários 2026.

Empregados e empregadas de Araraquara e região estiveram representados no evento pela diretora do Sindicato, Viviane Nascimento.

As deliberações foram aprovadas na plenária final do 41º Congresso Nacional das Empregadas e dos Empregados da Caixa Econômica Federal (Conecef), que reuniu 281 delegadas e delegados de todo o país, entre os dias 17 e 19 de junho.

Ao longo do congresso, foram debatidas 583 propostas apresentadas pelas bases nos encontros estaduais e regionais. As reivindicações aprovadas abrangem temas centrais para o futuro da categoria e da própria Caixa, como a defesa do banco 100% público, o fortalecimento do Saúde Caixa, a melhoria das condições de trabalho, a valorização dos empregados, carreira, remuneração variável, Funcef, igualdade de oportunidades, equidade racial e combate a todas as formas de violência e assédio.

As propostas aprovadas no Conecef vão integrar a minuta de reivindicações das empregadas e empregados da Caixa, que será entregue ao banco para a abertura das negociações específicas da Campanha Nacional dos Bancários 2026.

Para o coordenador da Comissão Executiva dos Empregados (CEE) da Caixa, Felipe Pacheco, o 41º Conecef cumpriu um papel decisivo na organização da categoria para a campanha deste ano. “O 41º Conecef expressou a realidade vivida pelas empregadas e empregados da Caixa em todo o país. Debatemos o sistema financeiro nacional, o papel dos bancos públicos, a defesa da Caixa, o Saúde Caixa, a saúde e as condições de trabalho, a remuneração variável, a carreira e a valorização dos trabalhadores. À luz desses debates, analisamos as propostas vindas da base e construímos uma pauta forte, representativa e conectada com o dia a dia das unidades. Cada empregada e cada empregado vai se enxergar nessa pauta, porque ela nasce das demandas concretas da categoria”, afirmou.

Felipe também destacou que a força da campanha dependerá da capacidade de mobilização nos locais de trabalho. “A aprovação da minuta é uma etapa fundamental, mas a negociação só avança com organização e pressão da categoria. A Caixa precisa respeitar a CEE, valorizar a mesa de negociação e responder às reivindicações apresentadas pelas empregadas e empregados. Vamos para a campanha com unidade, disposição de luta e clareza de que defender os direitos dos trabalhadores é também defender a Caixa pública e seu papel social”, completou.

Defesa da Caixa pública e valorização dos empregados

A defesa da Caixa 100% pública esteve entre os eixos centrais do congresso. As delegadas e os delegados reafirmaram que o banco deve ser fortalecido como instrumento de desenvolvimento econômico e social, responsável por políticas públicas fundamentais para a população brasileira, como habitação, crédito popular, saneamento, infraestrutura, programas sociais, gestão do FGTS, loterias e inclusão bancária.

As propostas aprovadas também apontam para a necessidade de recomposição do quadro de pessoal, fim do fechamento de unidades, melhoria das condições de atendimento, fortalecimento da rede física e respeito à missão pública da Caixa. Para o movimento sindical, não há Caixa forte sem valorização de quem trabalha no banco.

Coletivo Caixa Preta apresenta manifesto por equidade racial

Durante o 41º Conecef, o Coletivo Caixa Preta apresentou o manifesto “Movimento Caixa Preta: um manifesto dos empregados negros da Caixa Econômica Federal”, com propostas para enfrentar o racismo estrutural, ampliar a representatividade negra e garantir igualdade de oportunidades dentro do banco.

O documento afirma que a presença negra na Caixa ainda não reflete a composição da sociedade brasileira e denuncia a baixa representatividade de trabalhadoras e trabalhadores negros em cargos de liderança e nos espaços de tomada de decisão. Para o coletivo, uma instituição pública como a Caixa deve refletir a diversidade do povo brasileiro, tanto no atendimento à população quanto na estrutura interna de gestão.

O manifesto reivindica a adoção de políticas efetivas de promoção da diversidade racial, com plano estratégico, divulgação de resultados, programas de mentoria e formação para preparar empregados negros para progressão na carreira e assunção de cargos de liderança. Também cobra transparência nos processos de promoção e ascensão, com critérios justos que reconheçam o talento e a competência dos profissionais negros em igualdade de condições.

Outro ponto defendido pelo Coletivo Caixa Preta é o monitoramento permanente das políticas afirmativas, com representação negra nos comitês de diversidade, acompanhamento das metas e apresentação periódica dos resultados à direção do banco e ao conjunto dos empregados.

O manifesto também propõe capacitação antirracista regular e obrigatória para todos os níveis da instituição, da base à alta gestão, com formação sobre racismo estrutural, cultura afro-brasileira e inclusão. Além disso, reivindica política de consequência no âmbito administrativo para a responsabilização de praticantes de atos discriminatórios.

Para as delegadas e os delegados do Conecef, a pauta da equidade racial precisa ser tratada como compromisso concreto da Caixa, com negociação, metas, transparência e acompanhamento pela representação dos trabalhadores. A defesa de uma Caixa pública, inclusiva e socialmente comprometida passa, necessariamente, pelo enfrentamento ao racismo institucional e pela valorização das empregadas e empregados negros.

Saúde, condições de trabalho e combate ao assédio

As condições de trabalho também ocuparam lugar central nos debates. As propostas aprovadas tratam da sobrecarga nas unidades, da falta de empregados, das metas abusivas, das mudanças unilaterais nos modelos de atendimento, da pressão por resultados, do adoecimento físico e mental e da necessidade de combater o assédio moral, sexual e organizacional.

O congresso reforçou a cobrança por ambientes de trabalho saudáveis, com respeito, estrutura adequada, dimensionamento de pessoal, transparência nos processos de gestão e políticas efetivas de prevenção ao adoecimento.

As empregadas e empregados também reafirmaram a defesa de medidas concretas contra todas as formas de violência e assédio, com acolhimento às vítimas, responsabilização dos agressores e atuação permanente da Caixa para garantir locais de trabalho seguros e livres de discriminação.

Remuneração variável, carreira e transparência

A remuneração variável foi outro ponto de forte debate. As propostas aprovadas cobram que qualquer programa de bonificação ou remuneração variável seja previamente debatido e negociado com a representação dos trabalhadores, com regras claras, critérios objetivos, acompanhamento transparente e pagamento justo.

O Super Caixa foi alvo de críticas pela falta de transparência, pelas mudanças constantes nas regras e por critérios que podem penalizar trabalhadores por fatores que não dependem de sua atuação direta. Para o movimento sindical, a lógica deve ser simples: vendeu, recebeu.

As deliberações também apontam para a necessidade de valorização da carreira, respeito às funções, preservação da renda, fim das mudanças unilaterais e construção de políticas de desenvolvimento profissional que reconheçam a contribuição dos empregados para os resultados da Caixa.

Plenária aprova moções políticas e resolução em defesa da democracia

A plenária final do 41º Conecef também aprovou quatro moções e uma resolução política.

A primeira foi uma moção em solidariedade a Zé Maria, presidente do PSTU, condenado a dois anos de reclusão por declarações feitas em defesa do povo palestino durante manifestação realizada na Avenida Paulista, em São Paulo. A moção repudia a condenação e afirma que a defesa do Estado palestino, o repúdio ao genocídio e a crítica política não podem ser criminalizados.

Também foi aprovada a moção contra a fragmentação da Caixa Econômica Federal. O texto reafirma a defesa da Caixa como banco público, 100% estatal, preservado em sua unidade institucional, sem desmembramentos, abertura de capital, criação de subsidiárias que fragilizem o banco ou terceirização de atividades permanentes e estratégicas. A moção alerta que a fragmentação enfraquece a função social da Caixa, precariza empregos, reduz o controle público e amplia a mercantilização de serviços essenciais à população. O documento encerra com a palavra de ordem: “Nenhum pedaço a menos. Caixa 100% pública”.

A terceira moção aprovada trata da valorização e da atribuição automática de função para empregadas e empregados da área de Tecnologia da Informação, especialmente lotados na Vitec. O documento denuncia a defasagem entre a complexidade das atividades desempenhadas pelos trabalhadores de TI e a remuneração atualmente recebida por parte dos novos empregados admitidos em concurso específico para a área. A moção reivindica o reconhecimento da especificidade do trabalho em tecnologia, o fim do desvio de função velado e a adoção de medidas para evitar a evasão de talentos e garantir a sustentabilidade tecnológica da Caixa.

A plenária também aprovou uma moção de repúdio à decisão da Caixa de solicitar a criação de 55 novos cargos de alto e médio escalão, incluindo diretorias, superintendências e gerências nacionais, com elevado impacto financeiro para a instituição. Para os delegados e delegadas, a medida precisa ser revista e explicada com transparência, especialmente diante da necessidade de priorizar investimentos no atendimento à população, na contratação de empregados por concurso público, na valorização dos trabalhadores e na melhoria das condições de trabalho.

Além das moções, o 41º Conecef aprovou resolução de apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência da República. A resolução destaca a importância da defesa da democracia, dos direitos sociais e trabalhistas, da soberania nacional, do fortalecimento dos bancos públicos e da preservação do papel estratégico da Caixa para o desenvolvimento do país.

Saúde Caixa Sem Teto

Ao final da votação, foi apresentada a campanha Saúde Caixa Sem Teto, em defesa da sustentabilidade do plano e do fim do limite de custeio de 6,5% da folha salarial imposto pela Caixa em seu estatuto.

O Saúde Caixa foi um dos temas prioritários do 41º Conecef. A plenária aprovou reivindicações em defesa da sustentabilidade do plano, da preservação do mutualismo, da solidariedade e do pacto intergeracional, além da garantia de acesso ao plano para todos os empregados, inclusive os admitidos após 2018, no pós-emprego.

Para as entidades representativas, o teto de 6,5% limita a participação do banco no financiamento do Saúde Caixa, transfere custos para os usuários e ameaça a sustentabilidade do plano no médio e longo prazo.
 

 

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