
*Por Neiva Ribeiro
Nos últimos anos, um ponto central uniu as propostas e as falas dos trabalhadores: a urgência de regulamentar as redes sociais no Brasil. Não se trata de censura, mas de criar regras claras que garantam responsabilidade, transparência e respeito aos direitos de todos os usuários.
O mundo digital já não é um espaço paralelo ao “real”. Ele molda a economia, interfere na política, influencia hábitos de consumo e impacta profundamente a vida social. Sem um marco regulatório, as plataformas digitais operam acima das leis, impondo seus próprios critérios para moderação de conteúdo, impulsionamento de publicações e coleta de dados — muitas vezes com total falta de transparência. Isso ameaça a democracia, favorece a disseminação de notícias falsas, estimula crimes e alimenta discursos de ódio.
Mas a discussão não é apenas institucional. Ela atravessa também o cotidiano das famílias, principalmente quando olhamos para nossas crianças. Cresce o debate sobre a chamada adultização infantil nas redes — um fenômeno perigoso, no qual meninas e meninos são expostos, incentivados ou mesmo pressionados a se comportarem, se vestirem e se expressarem como adultos. Isso ocorre, muitas vezes, para gerar engajamento e audiência, sob o olhar passivo (ou até incentivo) das próprias plataformas, que lucram com cada clique, curtida ou compartilhamento.
O tema ganhou mais força recentemente com a repercussão de um vídeo do criador de conteúdo Felca, que expôs de forma crítica como crianças estão sendo sexualizadas e exploradas em redes sociais, muitas vezes com a conivência de adultos e empresas. A fala repercutiu amplamente porque traduz o que muitos pais, educadores e especialistas vêm alertando: a infância está sob ameaça no ambiente digital. Muitos políticos e partidos passaram a adotar essa pauta, defendendo algo que o ECA já estabelece como prioridade. Ainda assim, a ampliação do debate pode contribuir para aumentar a pressão..
O movimento sindical bancário tem mantido a luta para que haja uma legislação que regulamente as redes sociais e combata as chamadas fake news, tratando essa pauta como prioridade em Congressos, Conferências e na Campanha Nacional Unificada. Apoiamos as ações do Fórum Nacional de Democratização da Comunicação (FNDC) com propostas aprovadas em nossas conferências, que incluem a obrigatoriedade de relatórios de transparência das plataformas, medidas de proteção para crianças e adolescentes, responsabilização das empresas pelo conteúdo impulsionado, restrições à disseminação massiva de mensagens e a exigência de representação jurídica no Brasil. Também levamos ao debate preocupações com o feminicídio e outras formas de violência, além de dialogarmos com especialistas como o pesquisador Sérgio Amadeu sobre inteligência artificial e os impactos da tecnologia na vida cotidiana.
O Projeto de Lei 2338/2023, que institui o Marco Regulatório de Inteligência Artificial, busca estabelecer diretrizes para o desenvolvimento, uso e incentivo à IA de forma ética e responsável. A proposta contempla pontos como a gestão de riscos trabalhistas e sociais, a redução das desigualdades, a democratização dos benefícios tecnológicos, a proteção de direitos fundamentais, o controle do uso da IA em segurança e vigilância, a responsabilização e prevenção de danos, além do combate a discriminações e vieses algorítmicos. No âmbito do Conselhão, o debate reforça a importância de uma regulação firme, capaz de proteger direitos, garantir transparência e assegurar a atualização constante das normas diante dos avanços tecnológicos.
Não podemos aceitar que o lucro de grandes empresas digitais se sobreponha à proteção da infância. É preciso que haja mecanismos claros para responsabilizar plataformas que não coíbem conteúdos nocivos, que permitem assédio, exposição sexualizada ou práticas que afetam a saúde mental de crianças e adolescentes. O governo federal pretende enviar ao Congresso, nos próximos dias, um projeto de lei que prevê a regulação e a punição de big techs pela divulgação de conteúdos criminosos nas redes.
Assim como no mundo do trabalho e nas relações econômicas, liberdade e responsabilidade precisam caminhar juntas no ambiente digital. É esse o compromisso que defendemos: uma internet livre, mas segura; inovadora, mas com limites éticos. Democrática, mas que não se torne um território sem lei.
Regular é proteger. E proteger nossa democracia e nossa convivência social é dever de todos nós.
*Neiva Ribeiro é coordenadora do Comando Nacional dos Bancários e presidenta do Seeb/SP

Sistema financeiro brasileiro nega crédito como direito e mantém lógica de exclusão social

Sindicato garante avanços e alerta bancários sobre direitos e prazos no Bradesco

Caixa responde ofício da Contraf-CUT e marca negociação com a CEE

Dia da Visibilidade Trans expõe as contradições entre direitos, trabalho e violência

Mesmo com inflação desacelerando, BC escolhe penalizar população com juros em 15%

Doenças afastaram 4,1 milhões de trabalhadores de suas funções em 2025

Funcef detalha alternativas para resolver passivo previdenciário que atinge empregados da Caixa

COE do Santander cobra mais transparência em mesa sobre diversidade e segurança bancária

BB anuncia mais de 1.100 novas funções comissionadas e mudanças no atendimento especializado
Institucional
Diretoria
História
Conteúdo
Acordos coletivos
Galeria
Notícias