
O Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, anunciou no início da noite desta quarta-feira (17) a manutenção da taxa básica de juros do Brasil (Selic) em 15% ao ano. A decisão, esperada pelos analistas e instituições financeiras, ignora as necessidades da população e do setor produtivo, mantendo os brasileiros entre os mais penalizados por juros elevados no mundo.
Formado pelo presidente do Banco Central e por seus diretores, o Copom se reúne a cada 45 dias por dois dias consecutivos, avaliando cenário econômico, inflação, contas públicas, liquidez e riscos externos. Na reunião anterior, em julho, o comitê já havia deixado de reduzir a Selic, sob justificativa de fatores externos, como políticas comerciais e fiscais dos Estados Unidos, e por a inflação permanecer acima da meta.
Para a presidenta da Contraf-CUT e vice-presidenta da CUT, Juvandia Moreira, a manutenção da Selic em patamar tão elevado só prejudica a população e não combate efetivamente a inflação. "O Banco Central diz que precisa manter a taxa de juros alta para controlar a inflação, mas isso não é verdade para os tipos de inflação que enfrentamos no Brasil. Juros altos mantêm o país no topo do ranking mundial de juros reais e penalizam a população, que paga mais caro pelo crédito, consome menos e vê as empresas reduzirem investimentos e empregos," explica Juvandia.
O secretário de Assuntos Socioeconômicos da Contraf-CUT, Walcir Previtale, reforça que a política de juros altos aumenta o endividamento da população e compromete a renda do trabalhador. "Um financiamento de casa ou carro se torna quase proibitivo, enquanto estimular o consumo das famílias e do setor produtivo com crédito a juros justos é o caminho para controlar a inflação sem penalizar o povo," disse.
O movimento sindical lembra que o país já experimentou essa política de forma eficaz nos primeiros anos do primeiro governo do PT, com Selic adequada, crescimento econômico e pleno emprego. "Os juros altos desestimulam investimentos, consumo e geração de empregos. O Brasil poderia criar muito mais vagas de qualidade e com salários melhores, se não fosse essa política do Banco Central," complementa Juvandia.
Impactos sobre famílias e Estado
O ciclo recente de elevação da Selic, iniciado em 2021, resultou em aumentos contínuos, acelerados a partir do ano passado. Segundo o economista do Dieese, Gustavo Cavarzan, a média de juros cobrados à população saltou de 36% ao ano, em 2021, para mais de 56% em 2025.
O aumento de 0,25 ponto percentual nesta quarta-feira representará um gasto adicional de R$ 12,2 bilhões ao governo no ano, enquanto nos últimos 12 meses a União desembolsou R$ 928,4 bilhões com juros da dívida – mais de cinco vezes o orçamento da Educação e três vezes o da Saúde.
"É por isso que a classe trabalhadora, organizada pelo movimento sindical, se manifesta continuamente contra a política de juros altos do Banco Central," afirma Walcir.
Selic e economia
O Banco Central utiliza a Selic para controlar a inflação, mas taxas elevadas também dificultam expansão econômica, elevam o custo do crédito e reduzem consumo e investimento. Quando a Selic é reduzida, o crédito fica mais barato, estimulando produção e consumo, o que contribui para o crescimento econômico sem descontrole inflacionário.

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