
O Sindicato dos Bancários de Araraquara e Região participa nesta terça-feira (11) do Dia Nacional de Luta dos Funcionários do Bradesco, realizando mobilização na agência central da cidade com a distribuição de panfletos a trabalhadores e clientes. A ação também conta com o retardamento de duas horas na abertura da unidade, como forma de denunciar os efeitos da política de enxugamento promovida pelo banco, que segue reduzindo empregos e agências mesmo diante de resultados financeiros bilionários.
O Bradesco encerrou o primeiro semestre de 2026 com lucro líquido recorrente de R$ 13,861 bilhões, crescimento de 16,2% em relação aos primeiros seis meses de 2025. Entre Bradesco, Itaú e Santander, foi o maior avanço percentual de lucro no período.
Mas enquanto o banco amplia seus ganhos, o emprego bancário encolhe. Em 12 meses, foram eliminados 2.448 postos de trabalho. Apenas no segundo trimestre de 2026, o saldo foi negativo em 868 empregos. No mesmo intervalo de 12 meses, outras 324 agências deixaram de funcionar.
Para o Sindicato, os números escancaram uma escolha cruel: aumentar a rentabilidade às custas dos trabalhadores e da população que depende do atendimento bancário.
“É inadmissível que um banco com um lucro de quase R$ 14 bilhões em apenas seis meses continue tratando trabalhadores como números que podem ser cortados e agências como estruturas que podem ser simplesmente eliminadas. O resultado financeiro cresce, mas o compromisso com as pessoas diminui”, denuncia o presidente do Sindicato, Paulo Roberto Redondo (Paulinho).
A redução da rede física tem consequências que ultrapassam os limites das agências. Em cidades do interior, o fechamento de uma unidade pode obrigar clientes a percorrer grandes distâncias para conseguir atendimento, além de prejudicar o comércio e a circulação de recursos na economia local.
Ao mesmo tempo, a diminuição das equipes aumenta a pressão sobre os bancários que permanecem no banco. Menos trabalhadores precisam dar conta de uma demanda que não diminui, sob cobrança permanente por metas e resultados.
“O Bradesco chama de modernização aquilo que, na prática, tem significado desemprego, sobrecarga e menos atendimento. A tecnologia pode e deve facilitar a vida das pessoas, mas não pode ser utilizada como desculpa para desmontar empregos e retirar serviços da população”, afirma Paulinho.
O dirigente destaca que a mobilização desta terça-feira, realizada na semana em que o Comando Nacional volta à mesa de negociação com a Fenaban, reforça um recado bastante claro ao banco: o movimento sindical não aceitará que o crescimento dos lucros seja acompanhado pela precarização do trabalho e pela redução do atendimento bancário.
“Não estamos falando de um banco sem condições de preservar empregos e agências. Estamos falando de uma instituição que lucra bilhões. Por isso, o que cobramos é responsabilidade com os bancários, com os clientes e com as cidades onde o Bradesco mantém suas operações. Lucro não pode ser justificativa para retirar direitos, empregos e serviços”, conclui Paulinho.

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