CEE/Caixa destaca avanços do Acolhe e cobra ampliação das garantias às empregadas vítimas de violência
Data: 28/05/2026 às 12:47
Fonte: Fenae

Integrantes da Comissão Executiva dos Empregados (CEE/Caixa) participaram, nesta quarta-feira (27), da cerimônia em comemoração aos cinco anos do programa Acolhe, criado pela Caixa para prestar atendimento e acolhimento às empregadas em situação de violência doméstica e familiar, por meio de uma equipe multidisciplinar. O evento reuniu representantes das entidades sindicais, empregados, gestores do banco e especialistas que contribuíram para a implementação da iniciativa.

Durante a abertura, a superintendente Nacional de Estratégia de Pessoas e Relacionamento com o Empregado da Caixa, Ana Cláudia Costa Souza, destacou que o programa representa um compromisso institucional com a proteção das mulheres. Segundo ela, o Acolhe foi construído “a muitas mãos”, com participação de empregados e das entidades representativas dos trabalhadores.

Representando as mulheres da CEE/Caixa no evento, a integrante da comissão, Tatiana Oliveira, que também é presidenta do Sindicato dos Bancários do Pará e integrante da Comissão Nacional de Diversidade da Caixa, destacou que o programa nasceu de uma conquista da negociação coletiva. “Na nossa compreensão, o programa é muito importante. É uma iniciativa inclusiva, de negociação coletiva, conquistada em março de 2020 e depois incluída na Convenção Coletiva de Trabalho em setembro do mesmo ano”, explicou.

Segundo Tatiana, desde então, o movimento sindical acompanha o cumprimento da iniciativa. Ela reforçou, no entanto, que ainda é preciso avançar para garantir uma política mais ampla de proteção às vítimas. Entre as principais reivindicações da representação dos empregados está a garantia de preservação da função e da remuneração das trabalhadoras que precisam ser transferidas de local de trabalho por razões de segurança. “A cláusula já garante transferência sem necessidade de ordem judicial ou medida protetiva. Basta a empregada informar que está em situação de violência e que permanecer naquele local representa risco à sua integridade física”, afirmou.

Apesar disso, Tatiana relatou que as entidades receberam notícias de casos em que a mudança de unidade resultou em perda de função e redução salarial para as empregadas transferidas. “Ela já está vivendo uma situação de violência, muitas vezes mudando de cidade para proteger a própria vida. Se essa mudança ainda vier acompanhada de perda de renda, o impacto financeiro e emocional se torna ainda maior”, destacou.

A dirigente informou que o tema foi levado à mesa de negociação com a Caixa em março deste ano, mas ainda sem devolutiva concreta por parte do banco.

Para a representante da CEE/Caixa, o enfrentamento à violência contra as mulheres exige atuação conjunta de empresas, entidades sindicais, poder público e sociedade. “O problema é muito grande e o enfrentamento precisa acontecer em diversas esferas. Não basta apenas cobrar. Todos precisam assumir responsabilidade para proteger as mulheres”, concluiu Tatiana Oliveira.

Ela lembrou que o movimento sindical bancário também estruturou canais próprios de acolhimento, como o “Basta! Não irão nos calar”, organizado pela Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro da CUT (Contraf-CUT) em diversos estados, além de iniciativas de apoio promovidas pela Fenae (Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa), como a campanha “Fenae com Elas”.

 

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