
A Comissão de Organização dos Empregados (COE) do Itaú e o Comando Nacional dos Bancários entregaram, nesta quarta-feira (1º), a pauta de reivindicações específicas dos trabalhadores à direção do banco. O documento reúne uma série de propostas voltadas à preservação dos empregos, melhoria das condições de trabalho, saúde, diversidade, segurança, remuneração e acompanhamento das reestruturações em curso na instituição.
Durante a reunião, o movimento sindical destacou que o Itaú atravessa um amplo processo de reestruturação, com impactos diretos sobre a vida dos bancários, e reforçou a necessidade de que o banco valorize o processo negocial e dialogue com os representantes dos trabalhadores sobre as mudanças.
A coordenadora da COE Itaú, Valeska Pincovai, ressaltou que a pauta foi construída para responder aos principais desafios enfrentados pelos empregados.
“O Itaú vive um momento de profundas transformações, que têm impactado diretamente a rotina e a vida dos trabalhadores. Nossa pauta busca minimizar esses efeitos, preservar os empregos, garantir condições dignas de trabalho e fortalecer o diálogo com o banco. Esperamos que o processo negocial seja valorizado e que as reivindicações dos bancários sejam tratadas com a seriedade que merecem.”
Entre os principais pontos da pauta estão o fim do fechamento de agências; valorização dos trabalhadores nos processos de realocação, com garantia de emprego; criação de uma mesa permanente sobre diversidade; acolhimento aos trabalhadores adoecidos; fim das convocações para exames médicos que desconsiderem os laudos dos médicos assistentes; combate ao assédio moral; participação dos trabalhadores na implementação da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1); reforço da segurança nas agências; manutenção dos benefícios durante afastamentos por saúde; transparência na utilização de ferramentas de monitoramento baseadas em inteligência artificial e debate sobre a implementação da IA nos processos de trabalho.
A pauta também reivindica melhorias no banco de horas; transparência na reestruturação dos modelos Uniclass e Phygital; plano de saúde para aposentados; estabelecimento de teto para a coparticipação dos empregados admitidos a partir de 2015; reajuste dos valores de reembolso para consultas e procedimentos médicos, além da ampliação da rede credenciada.
Outras reivindicações incluem a readequação das metas no retorno da licença-maternidade; redução da jornada para empregados com filhos com deficiência; manutenção dos debates sobre programas de remuneração variável no Grupo de Trabalho; valorização das bolsas de estudo e dos subsídios para cursos de idiomas e certificações profissionais; criação de um plano de previdência para todos os trabalhadores; e melhoria no reembolso de combustível para empregados que realizam visitas a clientes.
“Esperamos que, com esta pauta, consigamos conquistar um ambiente mais saudável para os trabalhadores e convidamos todos os bancários e bancárias e vir conosco nesta luta construindo uma mobilização nacional”, completou Valeska.
Banco apresenta projeto para atendimento a aposentados
Durante a reunião, o Itaú apresentou um projeto-piloto voltado ao atendimento de clientes aposentados, que será implantado inicialmente nos estados de São Paulo e Paraná.
Segundo o banco, as unidades participantes passarão por adequações de layout, mas os empregados permanecerão nos mesmos cargos. As metas serão ajustadas de acordo com os produtos específicos do segmento, e os trabalhadores receberão treinamento para atuar no novo modelo de atendimento.
O banco informou ainda que estuda a possibilidade de abertura de novas agências, contratação de funcionários e manutenção de caixas de atendimento, conforme a necessidade identificada em análises específicas. Também assumiu o compromisso de apresentar previamente à COE as mudanças previstas, além de compartilhar informações sobre tempo de filas e os impactos da reorganização nas demais unidades.
Home office segue como ponto de divergência
Outro tema debatido foi a mudança no regime de trabalho híbrido prevista para 2027 e 2028. O Itaú reafirmou que manterá a decisão de ampliar a presença dos empregados nos escritórios, alegando que a medida busca reduzir os impactos do trabalho remoto na integração das equipes, na dinâmica de trabalho e no desenvolvimento profissional.
A representação dos trabalhadores reiterou sua posição contrária à mudança, defendendo a manutenção do modelo atual. A COE destacou que o trabalho remoto tem contribuído para a qualidade de vida dos empregados, especialmente diante dos longos deslocamentos nos grandes centros urbanos, sem prejuízo à produtividade.
O movimento sindical também solicitou que o banco realize uma pesquisa para ouvir a opinião dos trabalhadores sobre o novo modelo, proposta que foi rejeitada pela direção da empresa. Diante da negativa, a COE informou que fará seu próprio levantamento para subsidiar as próximas negociações.
Além disso, os representantes dos trabalhadores cobraram a manutenção da ajuda de custo prevista no Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) para quem atua em regime híbrido. O Itaú informou que cerca de 2 mil empregados atualmente em regime de trabalho totalmente remoto (full remote) permanecerão nessa modalidade.

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