
Aconteceu na quinta-feira (2), às 15h, na Universidade Federal do ABC (UFABC), em São Bernardo do Campo, a abertura da 1ª Conferência Nacional por Inteligência Artificial com Direitos Sociais. O encontro, que segue até esta sexta-feira (3), reúne representantes do movimento sindical, universidades, conselhos profissionais, parlamentares e entidades da sociedade civil para discutir os impactos da inteligência artificial no mundo do trabalho e formular propostas que assegurem proteção social, democracia digital e justiça tributária.
Promovida pelo Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em parceria com o Instituto Nacional por Inteligência Artificial com Direitos Sociais (INIADS Brasil), a conferência marca um novo capítulo na articulação entre tecnologia e direitos sociais, colocando os trabalhadores no centro das decisões sobre a regulação da IA.
Abertura com lideranças sindicais e institucionais
A mesa de abertura contou com a presença de Moisés Selerges, presidente dos Metalúrgicos do ABC; Adriana Marcolino, diretora técnica do Dieese; Gheorge Vitti, presidente do Sindicato dos Bancários do ABC; Aroaldo Oliveira, presidente da Agência de Desenvolvimento Econômico do Grande ABC; e José Vital, presidente do INIADS Brasil.
“A inteligência artificial pode transformar profundamente o mundo do trabalho, mas é fundamental que essa transformação seja guiada pela defesa dos direitos dos trabalhadores e pela justiça social. Estamos comprometidos em liderar essa discussão para garantir que o futuro seja justo e inclusivo para todos”, afirmou Selerges.
O presidente do Sindicato dos Bancários do ABC, Gheorge Vitti, apresentou o painel “Inteligência Artificial, Bancos e o Futuro do Trabalho”. Ele destacou como a Inteligência Artificial (IA) e a IA Generativa (GenAI) já estão transformando o setor bancário, especialmente no Brasil, com o aumento dos investimentos em tecnologia, a reconfiguração dos canais de atendimento e a centralidade da IA como motor de inovação e eficiência.
Durante sua apresentação, Vitti também alertou para os impactos dessa transformação no emprego bancário, trazendo dados sobre a evolução das ocupações em tecnologia e sobre a redução de funções tradicionais. Ele ressaltou a necessidade de políticas de qualificação profissional, mitigação de riscos e regulação responsável da IA, mencionando o PL 2.338/2023 e o Plano Nacional de Inteligência Artificial.
“A tecnologia pode ser um instrumento de inclusão ou exclusão. Depende de como a sociedade decide utilizá-la. Para nós, trabalhadores e sindicatos, é fundamental garantir que a inteligência artificial venha acompanhada de diálogo social, negociação coletiva e proteção dos empregos. Só assim conseguiremos transformar esse processo em oportunidades, e não em mais desigualdade”, afirmou Vitti.
Segundo José Vital, a realização da conferência é fruto de um processo iniciado no ano passado, no Ceará, durante a 1ª Conferência Inteligência Artificial, Sindicatos e a Luta por Direitos. Agora, em âmbito nacional, o debate busca consolidar uma agenda que envolva sete segmentos sociais: movimento sindical, conselhos profissionais, universidades públicas, instituições de pesquisa, sociedade civil, parlamentares e mídia progressista.
Agenda estratégica
Os debates da conferência giram em torno de quatro eixos principais:
- Impactos da IA sobre empregos e relações de trabalho, especialmente em economias emergentes como o Brasil;
- Formulação de reivindicações que garantam proteção aos trabalhadores e distribuição justa dos ganhos de produtividade;
- Soberania digital e de dados, com foco em infraestruturas públicas e tecnologias abertas;
- Combate à desinformação e redução do poder das Big Techs na mediação social.
Programação segue nesta sexta-feira
Hoje (3), às 14h, os debates continuam na UFABC com a mesa “Sindicalismo e a Luta por Direitos Sociais e Sindicais na Era da IA”, que terá a participação de Juvandia Moreira, presidenta da Contraf-CUT e vice-presidenta da CUT Nacional, e Wellington Damasceno, diretor administrativo e financeiro dos Metalúrgicos do ABC.
A atividade discutirá os desafios do movimento sindical diante das novas tecnologias e a importância de construir uma transição digital justa, democrática e inclusiva.

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