
A partir deste sábado (7), trabalhadores que recebem vale-refeição (VR) e vale-alimentação (VA) terão mais possibilidades para utilizar os benefícios. A nova etapa de mudanças no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT) prevê a implementação integral da interoperabilidade entre as operadoras, permitindo que cartões de diferentes empresas sejam aceitos em maquininhas habilitadas para esse tipo de pagamento.
Na prática, a medida busca ampliar a rede de estabelecimentos em que os trabalhadores poderão utilizar seus cartões, reduzindo a dependência de equipamentos e contratos específicos de cada operadora. A expectativa é facilitar o pagamento em restaurantes, supermercados, padarias e outros comércios que trabalham com alimentação.
A regulamentação também estabelece limites para as taxas cobradas dos estabelecimentos comerciais e reduz o prazo de recebimento dos valores das vendas. Entre as medidas estão a taxa máxima de 3,6% por transação, tarifa de intercâmbio limitada a 2% e prazo de repasse de até 15 dias corridos.
Bancários têm conquistas que vão além das mudanças no mercado
Se as novas regras nacionais buscam facilitar a utilização dos benefícios, a categoria bancária conta ainda com valores expressivos de VA e VR, reajustes conquistados nas negociações coletivas e um direito que não é garantido à maioria dos trabalhadores brasileiros: o 13º vale-alimentação.
Na Campanha Nacional 2026, a categoria conquistou reajuste de 4,60% nos benefícios, correspondente à reposição integral da inflação medida pelo INPC (3,98%), acrescida de 0,60% de aumento real.
Com isso, o vale-refeição passou a R$ 1.227,23 mensais, enquanto o vale-alimentação chegou a R$ 967 por mês. A categoria também mantém o pagamento de uma 13ª parcela do VA ao final do ano.
Os números mostram a dimensão dessa conquista. Segundo levantamento da Pluxee, o valor médio do vale-refeição oferecido pelas empresas brasileiras em 2025 era de R$ 649. Assim, o VR dos bancários é 89,1% superior à média nacional, praticamente o dobro.
Somados os dois benefícios, os bancários recebem R$ 2.194,23 mensais destinados à alimentação. Considerando 12 parcelas do VR e 13 do VA, o total anual chega a R$ 27.297,76 por trabalhador.
Resultado da organização e da negociação coletiva
A valorização do VA e do VR é resultado de décadas de mobilização da categoria e organização sindical, que garantiram a inclusão e a ampliação desses direitos na Convenção Coletiva de Trabalho (CCT).
Mais do que benefícios complementares ao salário, os valores representam uma parcela importante da renda dos trabalhadores, contribuindo para o orçamento doméstico, a segurança alimentar e a qualidade de vida das famílias.
A conquista também evidencia a importância da negociação coletiva. Em um cenário no qual milhões de trabalhadores ainda recebem benefícios inferiores ou sequer contam com auxílio-alimentação, a categoria bancária demonstra a importância da representação sindical para assegurar direitos, ampliar conquistas e melhorar as condições de vida.

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