
Entre 2019 e 2025, trabalhadores do planeta perderam 12% do salário real enquanto bilionários receberam US$ 2.500 por segundo em dividendos apenas em 2025, segundo análise da Confederação Sindical Internacional (CSI) e da Oxfam, que aponta ainda que um trabalhador levaria 490 anos para igualar o salário anual de um CEO. Divulgada na véspera do Dia Internacional do Trabalhador, a pesquisa expõe o avanço da desigualdade global em um contexto de concentração de renda, poder corporativo e influência política crescente.
Com base em dados de 1.500 empresas de 33 países, o levantamento revela que o crescimento econômico recente não foi acompanhado por distribuição de renda proporcional. O estudo mostra que, enquanto a remuneração média de CEOs chegou a US$ 8,4 milhões em 2025, trabalhadores enfrentaram perda de poder de compra acumulada ao longo dos últimos anos.
“As empresas nos prometem um círculo virtuoso, mas o que vemos é um círculo vicioso liderado por megacorporações: elas enfraquecem a negociação coletiva e o diálogo social, enquanto CEOs bilionários se apropriam da riqueza gerada pelos ganhos de produtividade. Em seguida, os super-ricos usam recursos imensos para financiar projetos políticos antidemocráticos”, afirmou o secretário-geral da CSI, Luc Triangle.
O levantamento mostra que os salários reais dos trabalhadores caíram 12% desde 2019, o que representa, na prática, 108 dias de trabalho sem remuneração equivalente em poder de compra. Apenas em 2025, essa perda correspondeu a 31 dias trabalhados sem retorno financeiro proporcional, aprofundando o impacto da inflação sobre rendimentos.
No Brasil, o estudo surge em meio à discussão sobre a escala de trabalho 6×1 e escancara uma realidade incômoda: aqueles que se opõem a melhorias nas condições dos trabalhadores sob o argumento de um suposto aumento desenfreado de custos são, justamente, os mesmos que mais lucram e acumulam riqueza às custas da força de trabalho.
“A dinâmica de concentração de riqueza no Brasil se reproduz agressivamente: enquanto trabalhadores enfrentam salários abaixo do necessário para uma vida digna, e uma das maiores desigualdades de renda do mundo, bilionários brasileiros ampliaram suas fortunas e seu poder político — financiando campanhas, influenciando mídias e pressionando por reformas que garante por exemplo a redução na carga horário”, afirma Viviana Santiago, diretora-executiva da Oxfam Brasil.
A disparidade crescente entre capital e trabalho
O contraste se intensifica quando comparado ao avanço da remuneração dos executivos. Entre 2019 e 2025, os salários de CEOs cresceram 54% em termos reais, saltando de US$ 5,5 milhões para US$ 8,4 milhões. No mesmo período, trabalhadores tiveram retração salarial, evidenciando o descolamento entre produtividade e remuneração.
“Os CEOs das maiores empresas desfrutaram de aumento salarial enquanto trabalhadores tiveram crescimento mínimo”, aponta o relatório. A CSI e a Oxfam destacam que, em 2025, os salários dos executivos cresceram 20 vezes mais rápido que os salários globais médios.
No topo da pirâmide, a concentração se torna ainda mais evidente. “Os dez CEOs mais bem pagos receberam mais de US$ 1 bilhão juntos”, destaca o documento, ressaltando que quatro executivos ultrapassaram individualmente a marca de US$ 100 milhões em remuneração anual.
A análise também aponta que um trabalhador médio levaria cerca de 490 anos para ganhar o equivalente ao salário anual de um CEO médio em 2025. Esse dado sintetiza a dimensão da desigualdade estrutural entre capital e trabalho nas grandes corporações globais.
“A riqueza dos bilionários cresce enquanto a participação dos trabalhadores na renda diminui”, descreve o estudo. Desde 2004, a produtividade aumentou 51%, mas a parcela destinada ao trabalho caiu, indicando que ganhos econômicos não têm sido distribuídos de forma proporcional.
A disparidade crescente entre capital e trabalho
O contraste se intensifica quando comparado ao avanço da remuneração dos executivos. Entre 2019 e 2025, os salários de CEOs cresceram 54% em termos reais, saltando de US$ 5,5 milhões para US$ 8,4 milhões, enquanto trabalhadores registraram perda acumulada de renda no mesmo período.
Em 2025, o crescimento da remuneração dos executivos foi 20 vezes maior do que o dos salários médios globais, ampliando a distância entre o topo corporativo e a base da força de trabalho. Nas maiores empresas analisadas, o rendimento médio de um CEO chegou a US$ 8,4 milhões, enquanto trabalhadores enfrentaram estagnação salarial.
No topo da pirâmide, a concentração é ainda mais acentuada. Executivos de grandes companhias como Broadcom, Blackstone e Goldman Sachs receberam remunerações superiores a US$ 100 milhões em 2025, com destaque para o CEO da Broadcom, Hock Tan, que ultrapassou US$ 205 milhões em salários e bônus.
Somados, os dez CEOs mais bem pagos ultrapassaram US$ 1 bilhão em remuneração no ano. A disparidade se torna mais evidente quando comparada ao rendimento médio global: um trabalhador levaria cerca de 490 anos para ganhar o equivalente ao salário anual de um CEO médio.
Esse descolamento também aparece na relação entre produtividade e distribuição de renda. Desde 2004, a produtividade do trabalho aumentou 51%, mas a participação dos trabalhadores na renda nacional caiu, indicando que os ganhos econômicos têm sido apropriados de forma desproporcional pelo capital.
Riqueza extrema, poder político e impacto social
A concentração de riqueza no topo da economia global se acelerou nos últimos anos. Em 2025, cerca de 1.000 bilionários receberam coletivamente US$ 79 bilhões em dividendos, o equivalente a aproximadamente US$ 2.500 por segundo. Entre os maiores beneficiários desses pagamentos estão Bernard Arnault, controlador do grupo de luxo LVMH, que recebeu US$ 3,8 bilhões, e Amancio Ortega, fundador da Inditex, controladora da Zara, que acumulou US$ 3,7 bilhões em dividendos no mesmo período.
A velocidade de acumulação evidencia o tamanho da desigualdade: em menos de duas horas, um bilionário médio recebeu mais em dividendos do que um trabalhador médio ganha em um ano inteiro de trabalho. O crescimento patrimonial também atingiu níveis históricos. Em apenas 12 meses, a riqueza dos bilionários aumentou em US$ 4 trilhões, ampliando ainda mais a distância em relação aos 4,1 bilhões de pessoas mais pobres do mundo.
Além da dimensão econômica, o avanço da concentração de riqueza tem impacto direto sobre a política e a comunicação. O empresário Larry Ellison, fundador da Oracle, tornou-se um dos principais acionistas da Paramount, conglomerado que inclui a rede de televisão CBS. Na França, o bilionário Vincent Bolloré passou a controlar o canal CNews, frequentemente comparado à linha editorial da Fox News.
Esse movimento de aquisição de ativos de mídia e participação política reforça a influência direta de grandes fortunas sobre o debate público e decisões institucionais. Levantamentos indicam que bilionários têm probabilidade significativamente maior de ocupar cargos políticos do que cidadãos comuns.
No Brasil, o cenário acompanha a tendência global. Viviana Santiago, diretora-executiva da Oxfam Brasil, afirmou que a concentração de riqueza se intensifica no país enquanto trabalhadores enfrentam baixos salários e desigualdade estrutural.
“A dinâmica de concentração de riqueza no Brasil se reproduz agressivamente”, disse. Ela explicou que bilionários ampliam suas fortunas e seu poder político ao mesmo tempo em que influenciam decisões econômicas e políticas públicas.
No campo dos direitos trabalhistas, denúncias envolvendo grandes empresas também ampliam o debate. A Oxfam Internacional apresentou uma queixa formal à Organização das Nações Unidas contra as empresas Amazon e Walmart, acusando práticas de repressão à organização sindical e violações sistemáticas de direitos humanos.
Luc Triangle, secretário-geral da Confederação Sindical Internacional (CSI), afirmou que o avanço da desigualdade está associado ao enfraquecimento de mecanismos de proteção social e trabalhista. “Esses projetos dividem a classe trabalhadora enquanto enfraquecem instituições democráticas”, declarou. Ele destacou que o aumento da concentração de renda está diretamente ligado à redução da capacidade de negociação coletiva.
Já Amitabh Behar, diretor-executivo da Oxfam Internacional, defendeu a adoção de medidas estruturais para enfrentar o problema. “Os governos devem limitar a remuneração de CEOs, tributar de forma justa os super-ricos e garantir salários dignos”, afirmou. Ele ressaltou que políticas públicas podem contribuir para reequilibrar a distribuição de renda e fortalecer economias mais inclusivas.

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