“Parem de nos matar”: mulheres vão às ruas contra a violência no 8 de Março
Protestos do 8 de Março reuniram sindicatos, movimentos sociais e lideranças políticas em defesa da vida das mulheres e de mais direitos
Data: 09/03/2026 às 13:51
Fonte: Seeb/SP, com edição de Seeb Araraquara

Mesmo sob a chuva torrencial, centenas de mulheres e homens foram à Av. Paulista, em São Paulo, no Dia Internacional da Mulher (8/3), para lutar contra a violência de gênero e a escala 6x1, por soberania dos povos e por maior participação feminina na política. Organizada por sindicatos, pela CUT e demais centrais sindicais e por movimentos sociais, a manifestação iniciou por volta das 14h, com concentração no vão livre do Masp. Outras mobilizações ocorreram ao longo do dia em demais capitais e cidades do interior.

A manifestação do 8 de Março deste ano se deu em meio a notícias estarrecedoras e dados alarmantes sobre o feminicídio no Brasil. O assassinato de mulheres cresceu 4,7% em 2025, um percentual altíssimo, considerando-se que o crescimento em outros anos recentes foi de 1% a 1,5%. No ano passado, o país registrou o triste recorde de 1.568 casos de feminicídio, o que dá uma média de 4 mulheres assassinadas por dia.

“Faça chuva ou faça sol, nós mulheres estaremos na luta pela vida de outras mulheres. Das que sobreviveram ao feminicídio, das que sobrevivem à escala 6x1, que é desumana. Este ato é por todas as mulheres que enfrentam a desigualdade salarial e o assédio no ambiente de trabalho”, disse Neiva Ribeiro, coordenadora do Comando Nacional dos Bancários e também presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região.

A dirigente lembrou a falta de políticas públicas para mulheres no governo de Tarcísio de Freitas. “Este ato é pelas mulheres da periferia para as quais não chegam as políticas públicas, que não têm direito à saúde e à educação, ao trabalho digno, que não têm direito às políticas de combate à violência que esse governo de São Paulo fez questão de não implementar. Nós, em nome de todas as bancárias, de todos os sindicatos cutistas de São Paulo, queremos dizer que somos aliadas na luta contra todas as desigualdades de gênero. Nós, mulheres, temos direito de ocupar todos os espaços de poder, nas empresas e na política.”

Neiva também lembrou os dados alarmantes do feminicídio e a importância dos homens nessa luta: “Temos o direito de viver e ser livres. Não podemos mais permitir que, a cada seis horas, uma mulher seja morta no Brasil. E nós precisamos conversar com nossos maridos, amigos, filhos e netos. Os homens precisam ser parte na resolução desse problema.”

Fim da escala 6x1

Outra pauta da manifestação, a escala 6x1 (seis dias trabalhados para apenas 1 dia de descanso) é especialmente prejudicial às mulheres, que geralmente cumprem dupla jornada, uma no trabalho e outra em casa, nas tarefas domésticas e nos cuidados com a família.

O fim da escala 6x1 tramita no Congresso e deverá ser votada este ano. Como se trata de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC), ela demanda duas votações em cada uma das casas legislativas: Câmara e Senado. O governo Lula deve enviar um novo projeto em caráter de urgência, para que a questão seja votada mais rapidamente. Se aprovada a PEC, a escala de trabalho passará a ser de 5x2 (cinco dias de trabalho para dois de descanso) e beneficiará milhões de brasileiras e brasileiros. Mas o projeto enfrenta forte oposição da extrema direita e é necessária a mobilização de toda a sociedade pela aprovação.

Soberania dos povos

O ato das mulheres deste ano chamou atenção também para a necessidade de se defender a soberania dos povos, diante de ataques imperialistas.  Lembrando o que está acontecendo em países como a Venezuela e o Irã, os manifestantes bradaram por respeito às normas do direito internacional e aos princípios da Carta da ONU e aos tratados internacionais.

Por mais mulheres nos espaços de poder

As mulheres são 52% do eleitorado brasileiro, apesar disso são apenas 18% na Câmara dos Deputados e menos de 20% no Senado. No ranking global de representação parlamentar feminina, o Brasil ocupa a 133ª posição. O ato do Dia Internacional da Mulher apontou para a necessidade de uma maior representatividade feminina nos espaços de poder, uma bandeira de luta também do Sindicato.

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