
A proposta do governo Lula de isentar quem ganha até R$ 5 mil por mês de pagar Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) vai beneficiar não apenas quem tem esse rendimento, mas também quem recebe até R$ 50 mil por mês, já que essa faixa não terá aumento da alíquota para compensar a isenção dos mais pobres.
De acordo com o Ministério da Fazenda, apenas 141 mil pessoas (a faixa mais rica do país) vão pagar a mais. Elas representam 0,06% da população total do país que não contribuem atualmente com alíquota efetiva de até 10% para o Imposto de Renda. Atualmente eles pagam apenas uma alíquota efetiva média de apenas 2,54%. Em contrapartida 10 milhões de brasileiros deixarão de pagar imposto de renda.
Como vai funcionar a tributação dos mais ricos
Um dado importante é que a cobrança a maior será feita a quem recebe rendimentos acima de R$ 50 mil por mês, como dividendos de empresas (parte do lucro de uma empresa que é distribuída aos seus acionistas).
A tributação mínima para altas rendas funciona de forma progressiva e só começa a ser aplicada para rendimentos acima de R$ 600 mil por ano. Primeiro, soma-se toda a renda recebida no ano, incluindo salário, aluguéis, dividendos e outros rendimentos.
Se essa soma for menor que R$ 600 mil, não há cobrança adicional. Se ultrapassar esse valor, aplica-se uma alíquota que cresce gradualmente até 10% para quem ganha R$ 1,2 milhão ou mais.
Já na hora de calcular o valor do imposto devido, alguns rendimentos são excluídos, como ganhos com poupança, títulos isentos, herança, aposentadoria e pensão de moléstia grave, venda de bens, outros rendimentos mobiliários isentos, além de indenizações.
Confira os percentuais de tributação mínima para alguns exemplos de alta renda anual:

Tributação mínima para quem já paga imposto
O imposto mínimo considera o que já foi pago:
- Se um contribuinte, com R$ 1,2 milhão anuais, pagou 8% de IR, terá que pagar apenas mais 2% para atingir os 10%.
- Se um contribuinte, com R$ 2 milhões, já pagou 12% de IR, não pagará nada a mais.
Distribuição de renda beneficia ricos e pobres
Um levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) mostrou que a isenção para essa faixa inicial de até R$ 5 mil vai colocar no bolso de cada um mais de R$ 4 mil por ano. Mas, o aumento da isenção vai muito além dessa faixa. Quem ganha até R$ 6.500 também pagará menos imposto do que paga atualmente porque terá isenção parcial, ou seja, um desconto progressivo que vai diminuindo gradualmente.
Confira a tabela

A isenção do imposto de renda também deverá injetar na economia brasileira R$ 35 bilhões. Ou seja, com mais dinheiro haverá maior consumo e consequentemente expansão de negócios e geração de empregos, beneficiando ricos, a classe média e os mais pobres.
Para a isenção passar a valer no próximo ano, é preciso a aprovação do Congresso Nacional. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos) criou uma Comissão Especial para tratar do assunto. A Comissão será composta por 33 membros titulares e de igual número de suplentes, mais um titular e um suplente, atendendo ao rodízio entre as bancadas não contempladas.
*Com informações do governo federal

Congresso volta do recesso e projetos de interesse dos bancários entram em pauta

Isenção do IR até R$ 5 mil: vitória da luta dos trabalhadores

Sistema financeiro brasileiro nega crédito como direito e mantém lógica de exclusão social

Sindicato garante avanços e alerta bancários sobre direitos e prazos no Bradesco

Caixa responde ofício da Contraf-CUT e marca negociação com a CEE

Dia da Visibilidade Trans expõe as contradições entre direitos, trabalho e violência

Mesmo com inflação desacelerando, BC escolhe penalizar população com juros em 15%

Doenças afastaram 4,1 milhões de trabalhadores de suas funções em 2025

Funcef detalha alternativas para resolver passivo previdenciário que atinge empregados da Caixa
Institucional
Diretoria
História
Conteúdo
Acordos coletivos
Galeria
Notícias