
O relatório anual de desigualdades da Oxfam (Oxford Committee for Famine Reliefe/Comitê de Oxford para o Alívio da Fome) mostra que, nos últimos 10 anos, o 1% mais rico da humanidade se apropriou de mais da metade de toda a nova riqueza global. Essa apropriação por parte dos super-ricos acelerou desde 2020, e o 1% mais rico ficou com quase dois terços de toda a nova riqueza – o equivalente a cerca de US$ 42 trilhões.
Seis vezes mais dinheiro do que os sete bilhões de pessoas que compõem os 90% mais pobres da humanidade. Além disso, para cada dólar de nova riqueza global ganho por alguém situado nos 90% mais pobres, um dos bilionários do mundo ganhou 1,7 milhão.
Pela primeira vez em 30 anos, a riqueza extrema e a pobreza extrema cresceram simultaneamente.
O relatório intitulado “A “sobrevivência” do mais rico” – lançado segunda-feira (16/01) por ocasião do Fórum Econômico Mundial, que acontece em Davos, na Suíça – propõe o aumento da taxação de milionários como forma de arrecadar recursos que seriam suficientes para tirar 2 bilhões de pessoas da pobreza.
Segundo a organização, um imposto anual sobre a riqueza de até 5% sobre os super-ricos poderia arrecadar US$ 1,7 trilhão por ano, o suficiente para ajudar 2 bilhões de pessoas; financiar apelos humanitários; desenvolvimento de um plano para acabar com a fome no planeta em 10 anos; apoiar países mais pobres que são devastados por eventos climáticos; e garantir saúde pública global e proteção social.
Katia Maia, diretora executiva da Oxfam Brasil, afirma que “taxar os super-ricos é uma pré-condição estratégica para reduzir as desigualdades e fortalecer a democracia.”
No Brasil, 85% da população defende a taxação dos mais ricos
A organização lembra que 85% da população brasileira defende a taxação dos mais ricos para que o Estado possa garantir serviços públicos de qualidade para quem mais precisa. Atualmente existem 284 bilionários no Brasil, segundo a revista Forbes, enquanto o país é um dos únicos no mundo que não tributa lucros e dividendos.
“O Brasil enfrenta uma das maiores crises orçamentárias da sua história. É fundamental que aqueles que vêm sendo privilegiados há anos passem a dar sua contribuição e assumam a sua responsabilidade na reconstrução do país, fortalecer os serviços públicos e promover sociedades mais saudáveis”, afirmou Kátia.
Para Jefferson Nascimento, coordenador da área de Justiça Social e Econômica da Oxfam Brasil, a discussão que se impõe cada vez mais é o incremento da taxação dos muito ricos e das grandes corporações, inclusive no Brasil. “A gente tem visto diversos países, inclusive com troca de governo por conta do debate sobre a reforma tributária, como o caso da Colômbia, o tema sendo pautado também no Chile, o próprio governo [Joe] Biden falando da necessidade de ter taxação de mais ricos. É um debate que está espraiando pelo mundo”, avaliou.
“A reforma tributária vem sendo considerada prioritária para o novo governo Lula, e esperamos que o Congresso aprove um novo sistema tributário que garanta o financiamento necessário aos estados para que possam oferecer mais e melhores serviços e políticas públicas às suas populações”, complementou.

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