Burnout explode 823% e novo decreto fará empresas pagarem caro por metas absurdas: escala 6×1 é próximo alvo
Data: 08/05/2026 às 15:38
Fonte: URBS Magna, com edição de Seeb Araraquara

Os afastamentos por Síndrome de Burnout cresceram 823% no Brasil entre 2021 e 2025, passando de 823 para 7.595 casos, segundo dados do Ministério da Previdência Social. O aumento acompanha o avanço das denúncias relacionadas à saúde mental no trabalho, que saltaram de 190 para 1.022 no mesmo período, conforme levantamento do Ministério Público do Trabalho.

O impacto também pesa nos cofres públicos: os gastos com auxílio-doença por transtornos mentais passaram de R$ 18,9 bilhões em 2022 para R$ 31,89 bilhões em 2024. Especialistas apontam que o cenário é resultado da intensificação das jornadas, da pressão por metas, da hiperconectividade e de ambientes de trabalho cada vez mais competitivos.

O debate ganhou força com a entrada em vigor, em 26 de maio, do caráter punitivo da nova NR-1. A norma obriga empresas a identificarem e gerenciarem riscos psicossociais, como assédio moral, metas abusivas, jornadas exaustivas e falta de autonomia, dentro do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR). A fiscalização poderá aplicar multas e utilizar dados de afastamentos por transtornos mentais como indício de negligência patronal.

A fiscalização não será uma mera formalidade. Auditores fiscais serão capacitados para cruzar dados do eSocial e identificar picos de afastamento por CIDs relacionados à saúde mental (como F43 e Z73), usando isso como evidência de negligência. As penalidades são severas: especialistas apontam multas que podem chegar a R$ 6.708,08 por trabalhador exposto ao risco.

E o problema não para na esfera administrativa. A ausência de um PGR robusto servirá como prova cabal de culpa patronal na Justiça do Trabalho, facilitando indenizações por danos morais e coletivos.

Especialistas também relacionam o avanço do burnout à escala 6x1, considerada um fator que amplia o estresse, a ansiedade e o esgotamento. A batalha contra o burnout, portanto, não se vence com palestras motivacionais, mas com a mudança estrutural das relações de trabalho e a coragem de enfrentar pautas como a redução da jornada sem redução de salário – um passo fundamental para a construção de uma democracia plena e de uma sociedade mais justa.

Fale com o Sindicato

O Sindicato dos Bancários de Araraquara e região orienta bancários e bancárias a denunciarem irregularidades em saúde e segurança por meio de seu Canal de Denúncias, com garantia de anonimato. Trabalhadores que precisem emitir Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT) ou esclarecer dúvidas sobre afastamentos e direitos podem buscar apoio diretamente com a Secretaria de Saúde.

Entre em contato pelo WhatsApp (16) 98115-6150.

"Mesmo subnotificadas, as doenças do trabalho que acometem os trabalhadores do ramo financeiro são um alarmante sinal de um sistema de organização do trabalho que adoece muito mais que outras categorias. Grave também é o fato de muitos deles permanecerem trabalhando mesmo adoecidos, além de que é muito significativo o número de bancários vivendo a base de remédios, como antidepressivos e ansiolíticos, voltados ao tratamento dos transtornos mentais”, reforça André Luiz de Souza, secretário de Saúde e Condições de Trabalho do Sindicato. “Já passou da hora de os bancos serem responsabilizados por esta prática agressiva e criarem um ambiente de trabalho que realmente respeite o ser humano”, completa o dirigente.

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