
A Caixa Econômica Federal anunciou, no dia 20 de maio, a ampliação da rede de atendimento em 2021. Segundo o banco, serão 130 novas unidades, em 128 diferentes municípios.
Para o presidente da Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal (Fenae), Sergio Takemoto, o aumento da rede comprova a necessidade e a importância do banco público para a população brasileira. No entanto, para atender as novas unidades, é preciso contratar mais empregados, uma vez que a Caixa tem um déficit atual de quase 20 mil trabalhadores.
Para se ter uma ideia, a Caixa fechou o ano de 2014 com 101,5 mil empregados. Hoje, de acordo com o balanço do primeiro trimestre de 2021, o número caiu para 81.876 trabalhadores – 19.624 empregados a menos para atender a um público cada vez maior. Somente no último ano, 2.943 postos de trabalho foram fechados, influenciados pelo Programa de Desligamento Voluntário (PDV).

“As condições de trabalho para o empregado e a qualidade de atendimento para a população estão cada vez piores. Tudo isso é resultado da carência de trabalhadores. Os empregados estão física e psicologicamente exaustos. Ainda assim, cumprem a missão de atender cada cidadão que precisa receber auxílio emergencial e outros benefícios sociais”, disse Takemoto.
Outro dado que impressiona é o número de clientes por empregado. Em 2007, a média era de 575,7 clientes por empregado; no primeiro trimestre deste ano, a média subiu para 1.780 – aumento de mais de 300%.
Um cálculo feito pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) compara a média da Caixa com o banco Santander, por exemplo. No banco privado, com 28,4 milhões de clientes e 44,8 mil funcionários, a média é de 633,8 trabalhadores por cliente. Na Caixa, com 145,7 milhões de correntistas e poupadores e 81,876 empregados, a média é de 1.780, como dissemos anteriormente.

“É uma diferença gritante que evidencia uma intensidade de trabalho absurda para os empregados da Caixa. Sem falar das cobranças por metas desumanas e a retirada de direitos, como a PLR Social. Não há reconhecimento para os empregados, que estão adoecendo. Para os colegas cumprirem bem a missão de atender bem aos brasileiros, a Caixa precisa contratar mais”, disse a coordenadora da Comissão Executiva de Empregados da Caixa (CEE/Caixa), Fabiana Uehara Proscholdt.
O banco diz que está em processo de contratações. Em março, a direção da Caixa anunciou a convocação de 2.766 empregados. Informou também que está “em curso” a contratação de 566 bancários com foco no Norte e Nordeste, em função da abertura de novas unidades. Até o primeiro trimestre deste ano, contudo, 211 empregados foram admitidos.
Ainda em 2019, em entrevista ao Correio da Paraíba, a direção da Caixa garantiu que convocaria todos os concursados de 2014 – cerca de 30 mil aprovados.
“Só para dar atendimento às novas 130 unidades anunciadas pelo banco, são necessários, no mínimo, uma média de 390 empregados. Isso porque não sabemos exatamente qual será a estrutura destes atendimentos. Os 2.766 trabalhadores que a Caixa diz que vai contratar não supre nem 15% do déficit”, disse Takemoto.
Novas unidades
Segundo matéria divulgada pela Caixa, das 130 novas unidades, 51 unidades serão especializadas em agronegócio e 79 unidades para atendimento ao público. Com a expansão da rede, a Caixa vai atuar em todos os municípios com mais de 40 mil habitantes. Serão, no total, 4,3 mil unidades próprias, entre agências e unidades especializadas de atendimento. A Caixa conta, ainda, com 8.985 correspondentes Caixa Aqui; 13.226 unidades lotéricas, 2 agências-barco e 8 agências-caminhão.
Das unidades de atendimento, 43 estarão no Nordeste, 33 na região Norte, 20 na Centro-Oeste, 20 no Sudeste e 14 na região Sul. Já as unidades especializadas no agronegócio, 18 estarão no Centro-Oeste, 12 no Sudeste, 12 no Sul, 5 no Nordeste e 4 na região Norte.

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