O presidente da Caixa, Pedro Guimarães, desde 2019, no âmbito do projeto Caixa Mais Brasil - que oficialmente tem o objetivo de aproximar a direção do banco de autoridades, empresários e lideranças locais - já realizou mais de 97 expedições (número que deve chegar a 166 até o final de 2022), ao custo médio de R$ 50 mil por viagem, visitando mais de 140 municípios. Nas suas andanças, Pedro já comeu bode, dançou quadrilha, tirou foto em mangue.
O presidente da Caixa também é figura frequente nas lives de Jair Bolsonaro. Até maio deste ano, já acumulava 22 aparições. Porém, em nenhum momento parece ter pensado ser importante cobrar prioridade na vacinação para os bancários.
Estes números, que se assemelham a de um político em campanha - o ministro da Economia, Paulo Guedes, já declarou que Pedro Guimarães “daqui a pouco vai ser candidato a vice-presidente” - foram revelados pelos jornalistas Geralda Doca e Marcello Corrêa, do O Globo, na reportagem À frente da Caixa, Pedro Guimarães viaja pelo país e acumula capital político a serviço de Bolsonaro.
Por outro lado, as fotos sorridentes de Pedro Guimarães nas suas viagens pelo Brasil escondem as péssimas condições de trabalho as quais estão submetidos os empregados da Caixa na sua gestão.
Em 2021, já são mais de 80 empregados da Caixa que faleceram em decorrência da Covid-19, quase cinco vezes as mortes dos empregados em 2020. Em todo o ano de 2020, foram 18. De acordo com levantamento preliminar do Sindicato, no caso de outros cerca de oito óbitos, não relacionados com a Covid-19, existem fortes indícios de relação com riscos psicossociais do trabalho bancário na Caixa, com as cobranças abusivas de metas e o assédio moral na empresa.
Pedro Guimarães parece estar sem tempo para proporcionar condições de trabalho adequadas para os empregados da Caixa, para cobrar do presidente Jair Bolsonaro prioridade para os bancários na vacinação, mesmo que a quantidade de vezes em que aparecem juntos nas lives evidencie o quanto são próximos. Enquanto Pedro viaja o Brasil, os empregados estão arriscando sua saúde, sobrecarregados, exauridos física e psicologicamente, perdendo colegas para o coronavírus.
Cerca de 70% dos empregados da Caixa que responderam a pesquisa “Covid-19 como uma doença relacionada ao trabalho” relataram que trabalham em agências onde falta ventilação, janelas ou abertura para o ambiente externo. Os empregados também relatam contato próximo, a menos de dois metros de distância, com colegas e clientes. Existem também registros de falta de máscaras em número suficiente.
Negociação
No próximo dia 16, as entidades representativas dos empregados da Caixa participam de negociação com a direção do banco público para cobrar melhores condições de trabalho e melhorias urgentes nos protocolos de combate à Covid-19 como, por exemplo, a testagem dos terceirizados e o acionamento do protocolo em caso de suspeita de infecção destes trabalhadores. Também serão cobradas medidas enérgicas para casos em que a gestão esconde casos suspeitos ou confirmados para que o protocolo não seja acionado. É preciso colocar a vida dos trabalhadores como prioridade absoluta.

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