
Bancários e bancárias de todo o país aprovaram, em assembleias realizadas entre segunda-feira (22) e terça-feira (23), a minuta de reivindicações da Campanha Nacional Unificada 2026 para a renovação da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) da categoria.
A minuta é o resultado de debates da 28ª Conferência Nacional dos Bancários e Bancárias que, por sua vez, foi alimentada com as demandas vindas de conferências regionais e estaduais. A Consulta Nacional da categoria, que neste ano contou com a participação recorde de 54.952 respondentes, também contribuiu para a edição final do documento que será entregue pelo Comando Nacional dos Bancários e das Bancárias à Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) nesta quarta-feira (24).
"A partir desse ato oficial, ambas as partes definirão a agenda das mesas de negociação para reposição da inflação, reajustes salariais e outros direitos na Convenção Coletiva, que deve ter a assinatura renovada até a véspera da data-base da categoria, em 1º de setembro", explica Juvandia Moreira, coordenadora do Comando Nacional. "A unidade da categoria, que foi fundamental para a consolidação da minuta de reivindicações, continuará como um valor importantíssimo para que, nesta próxima fase de negociações, a gente mantenha as cláusulas já conquistadas e avance em novos direitos", completa a dirigente, que também é presidenta da Confederação Nacional das Trabalhadoras e dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT).
A seguir, os principais eixos da pauta de reivindicações que será entregue à Fenaban:
- 5% de aumento real no salário e nas demais verbas, como PLR, VA e VR;
- Fim das metas abusivas;
- Manutenção do formato atual da PLR (percentual do salário mais parcela fixa e adicional);
- Manutenção dos direitos conquistados;
- Manutenção da mesa única, da CCT para toda a categoria e dos direitos já conquistados;
- Defesa do emprego bancário;
- Defesa dos bancos públicos;
- Distribuição melhor dos ganhos da tecnologia, com o fim do monitoramento excessivo no teletrabalho, preservando a privacidade do bancário.
Juvandia reforça que o cenário em que essa campanha acontece é desafiador. “Estamos em meio a uma grande reestruturação do sistema financeiro, em decorrência de avanços tecnológicos e da entrada e fortalecimento de novos atores (fintechs, instituições de pagamento e cooperativas). Esses são fatores que os bancos estão usando para justificar o fechamento de agências e a redução de postos de trabalho. Mas, com o auxílio técnico do Dieese, nós construímos uma pauta de reivindicações bastante consistente para defender o emprego bancário e ampliar as conquistas sociais e econômicas da categoria”, destaca.
A dirigente explica ainda que a reestruturação resultante de um ambiente de maior competitividade e avanços tecnológicos não está trazendo prejuízos aos bancos. “Pelo contrário, os bancos continuam registrando lucros extraordinários. Então, a luta da categoria bancária por valorização profissional e reposição de perdas inflacionárias é uma luta de distribuição dos lucros multibilionários do setor, para que os bancos assumam suas responsabilidades sociais contra a concentração de renda e em favor do fim das desigualdades”, pontua Juvandia Moreira.

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