
Os trabalhadores do ramo financeiro realizam, nesta sexta-feira (28), atos para marcar o Dia Mundial de Segurança e Saúde no Trabalho e o Dia Nacional em Memória das Vítimas de Acidentes e Doenças do Trabalho.
Para o secretário da Saúde da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), Mauro Salles, “as diferentes iniciativas, com pequenas variações no nome, convergem na luta, que deve ser lembrada todos os dias, pela promoção do trabalho digno, seguro e saudável”.
O Sindicato dos Bancários de Araraquara disponibiliza aqui um Infopress publicado pela Contraf-CUT sobre o tema.
A categoria também vai se mobilizar nas redes sociais, a partir das 11 horas, com a #MenosMetasMaisSaúde
"Bancários e bancárias ainda sofrem dentro dos ambientes de trabalho, desgastando a sua saúde física e mental ao longo de jornadas de trabalho extenuantes, sem pausas para descanso, com metas de produção inalcançáveis e cada vez mais crescentes, convivendo com riscos de assaltos e sequestros, tendo de dar conta de inúmeras tarefas. Estamos nas redes denunciando essa triste realidade e para deixar claro o recado aos bancos: a saúde da trabalhadora e do trabalhador é um direito humano fundamental, um direito inalienável. Ela não pertence aos bancos, aos convênios particulares, aos departamentos médicos", destaca a secretária geral do Sindicato dos Bancários de Araraquara e secretária de Saúde da Fetec-CUT/SP, Rosângela Lorenzetti.
"Para a melhoria da saúde da categoria é necessário a participação dos bancários no processo que define a organização do trabalho. O modelo organizacional praticado pelos bancos faz mais e mais vítimas a cada dia e trata os funcionários como descartáveis. Muito mais do que remuneração, precisamos ter nossa saúde preservada, nosso direito a um trabalho digno e decente”, reforça Rosângela.
Adoecimento e morte
De 2012 a 2021, 42.138 bancários receberam benefício acidentário do INSS e outros 156.670 foram afastados por doença comum. Porém, cerca de 54% destes benefícios comuns referiam-se a doenças características do trabalho bancário, como transtornos mentais e LER/Dort. Os dados são do Observatório de Segurança e Saúde no Trabalho, compilados pelo Dieese.
Transtornos mentais
Desde 2013, transtornos mentais e comportamentais se tornaram a principal causa de afastamentos na categoria bancária. De 2012 a 2021, no conjunto total dos trabalhadores, transtornos mentais foram responsáveis por 5% dos afastamentos por acidentes de trabalho e por 10% dos decorrentes de doenças comuns.
No mesmo período, porém, no setor econômico que inclui bancos e financeiras, causaram 39% dos afastamentos por acidentes e doenças do trabalho e 29% dos não reconhecidos como acidente ou doença do trabalho. “Já passou da hora de os bancos serem responsabilizados por esta prática agressiva e criarem um ambiente de trabalho que realmente respeite o ser humano”, observou Salles.

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