
Os bancos públicos estão sob ameaça. Estas instituições que são as maiores operadoras de políticas públicas no país, em âmbito nacional e regional, têm sido alvo de ataques por conta da agenda privatista do governo Bolsonaro. Para alertar a sociedade sobre o problema e buscar o apoio dos prefeitos eleitos em 2020, a Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal (Fenae), a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf/CUT) e o Comitê Nacional em Defesa da Caixa, lançaram manifesto em defesa dos bancos públicos.
“Se deixarmos o governo privatizar os bancos públicos, os cidadãos brasileiros, principalmente aqueles das regiões mais afastadas e a parcela mais pobre, serão duramente afetados. A privatização significa menos recursos para o desenvolvimento econômico e social do país. Ficam comprometidos geração de emprego e renda e os repasses aos programas sociais””, alerta o presidente da Fenae, Sergio Takemoto.
Por essa razão, segundo o dirigente, que as entidades representativas dos bancários e empregados da Caixa vão buscar apoio dos prefeitos eleitos no pleito deste ano e dos candidatos que estão disputando o segundo turno das eleições municipais. “Queremos chamar a atenção dos administradores municipais para o fato que os recursos investidos pela Caixa, Banco do Brasil e bancos regionais são fundamentais para movimentar a economia nos municípios. Em algumas cidades, são eles que garantem a bancarização da população”, esclareceu Takemoto.
No “Manifesto em Defesa dos Bancos Públicos Brasileiros”, as representações associativas e sindicais lembram que essas instituições “são responsáveis por uma melhor distribuição de recursos e crédito com o objetivo de reduzir as desigualdades regionais, ao contrário das instituições privadas que priorizam regiões e setores onde já existe uma concentração maior de renda”.
O documento destaca ainda que “os bancos públicos nacionais e regionais viabilizam o financiamento da habitação, do crédito agrícola, da educação, da cultura e da infraestrutura, dentre outras áreas, além do pagamento de benefícios sociais, a exemplo do auxílio emergencial, instituído em 2020 para assegurar proteção social às famílias afetadas economicamente pela pandemia do novo coronavírus”.
Conforme dados do Banco Central, em 2019, 45,9% (R$ 1,5 trilhão) das operações de crédito foram realizadas por bancos públicos. Eles também ofertaram 80,4% (608,8 bilhões) em crédito imobiliário; 71% (194,3 bilhões) do crédito rural, e concentraram 62% em poupança no país. Também contribuíram para ampliar a bancarização, com 45,6% (9.089) das agências bancárias no país.
No manifesto, as entidades ressaltam também o papel anticíclico dos bancos públicos, contribuindo com medidas para reduzir os efeitos econômicos causados pela pandemia do coronavírus.
“Assim como na crise de 2008, são os bancos públicos que estão socorrendo o setor produtivo, com programas de crédito para pequenas e médias empresas, linhas de crédito para o setor imobiliário, suspensão do pagamento de financiamentos habitacionais, renegociação de dívidas, entre outras medidas. Além do pagamento do Auxílio Emergencial, saques emergenciais do FGTS e outros benefícios realizados pela Caixa a mais de 100 milhões de brasileiras e brasileiros”.
Clique aqui e confira a íntegra do manifesto.

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