
Há 40 anos uma greve deflagrada pela categoria bancária entrou para a História. Trabalhadores de bancos enfrentaram riscos e desafios para conquistar avanços salariais, benefícios e condições de trabalho que até hoje repercutem na vida da categoria.
Pela importância daquele movimento – considerado um divisor de águas na história da organização sindical bancária por ter pavimentado o caminho para uma série de conquistas – foi realizada sessão solene na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo na última sexta-feira (19). A inciativa foi do deputado estadual Luiz Claudio Marcolino (PT).
“Em setembro de 1985, homens e mulheres bancários tiveram a coragem de enfrentar os setores mais poderosos do país e mostraram que, quando a categoria se une, é capaz de conquistar direitos e transformar realidades. Aquela greve não foi apenas por salários, foi uma luta por dignidade, democracia e valorização do trabalho. Com o apoio da CUT, a greve de 1985 ganhou apoio da opinião pública e foi vitoriosa ao conquistar o reajuste salarial de 90,78% e antecipação de 25% diante da inflação galopante, que na época corroía a renda dos trabalhadores em 10% ao mês”, declarou o deputado.
“Naquele contexto da redemocratização do Brasil, ao final de uma ditadura militar de 20 anos, a greve dos bancários ajudou a abrir caminhos, mostrou que a força organizada dos trabalhadores poderia enfrentar banqueiros e governos, conquistar avanços e inspirar outras categorias. Por isso, a greve de 1985 foi um divisor de águas, não só para os bancários, mas para todo o movimento sindical brasileiro”, acrescentou.
Para as lutas do futuro é preciso conhecer o passado
Neiva Ribeiro, coordenadora do Comando Nacional e presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, afirmou que para fazer as lutas do futuro, é preciso entender o passado. “Precisamos saber de onde a gente veio, quem foram as pessoas que pavimentaram esses caminhos. Essas pessoas lutaram para construir a Convenção Coletiva Nacional, o Comando Nacional, a forma como a gente organizou a nossa federação, nossos sindicatos, os nossos fóruns de decisão.”
Pavimentação para conquistas futuras
Juvandia Moreira, presidenta da Contraf-CUT e vice-presidenta da CUT, também destacou que a greve de 1985 pavimentou o caminho para a série de conquistas da categoria bancária nos anos seguintes.
“Hoje nós temos 171 cláusulas na Convenção Coletiva dos Bancários. Em 92 nós tínhamos 47. Hoje nós negociamos não só o aumento salarial, nós negociamos a participação dos lucros, as condições de trabalho, a saúde, a igualdade de oportunidades. Hoje nós discutimos o empoderamento e o encarreiramento das mulheres. A greve de 1985 resultou numa categoria que tem uma convenção coletiva nacional e que discute vários temas que influenciam na legislação.”
Unificação da categoria
“É um momento histórico, é um momento que nos emociona muito porque aqui está aquilo que pavimentou toda a nossa história, o que possibilita hoje que a gente esteja em luta. Porque estamos em luta. Seria um momento diferente se o Estado Democrático de Direito não estivesse ameaçado, e ele está. E essa greve também nos possibilitou formar grandes lideranças”, disse Aline Molina, presidenta da Fetec-CUT, citando os nomes dos ex-presidentes do Sindicato Ricardo Berzoini e Luiz Gushiken – este no comando da entidade durante a greve de 1985.
Homenagens
Ao final da sessão solene foram homenageados personagens que participaram da greve histórica: Hélio Paiva Matos, secretário de assuntos jurídicos individuais e coletivos do sindicato dos bancários de assis e região; Antonio Carlos Lopes Fernandes (Cacaio), funcionário aposentado da Caixa Econômica Federal, foi presidente do Sindicato dos Bancários e Financiários de Presidente Prudente e Região; Davi Zaia, presidente da Federação dos Empregados em Estabelecimentos Bancários dos Estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul, e ex-presidente do Sindicato dos Bancários de Campinas e Região e ex-deputado estadual por três mandatos.

Foram homenageados também Vânia Nunes Barrada, ex-dirigente do Sindicato dos Bancários de Guarulhos e Região; Irineu Romero Filho, presidente do Sindicato dos Bancários de Jundiaí e Região por três gestões e diretor regional da Afubesp; Sonia Estela da Silva, a Fumaça, funcionária do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região; Maria Madalena Garcia Miranda, funcionária do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região; Antonio Lucas Buzato, aposentado do Banespa, foi dirigente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região e deputado estadual pelo PT por três mandatos; Oliver Simioni, aposentado do Banespa, diretor da Afubesp, integrante da Comissão Nacional dos Aposentados Banespa (CNAB), e ex-diretor representante dos funcionários do Banespa;
Mereceram ainda homenagens Aci Aparecida Diniz Rangel, assessora de imprensa do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região; Nelson Jandir Canesin, diretor de administração e finanças da Fetec-CUT; José Antonio Fernandes Paiva, presidente do Sindicato dos Bancários de Piracicaba e Região e diretor financeiro da Federação dos Empregados em Estabecimentos Bancários dos Estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul; Francisco Antônio Cinquaroli, o Chico Belo, aposentado do Banespa; Paulo Okamoto – ex-metalúrgio e ex-sindicalista, hoje preside a fundação Perseu Abramo; José Carlos da Silva, ex-diretor executivo do Sindicato dos Condutores de São Paulo e vice-presidente do Departamento de Transporte da CUT-SP; e Roberto Rodrigues, diretor de Administração e Finanças da Fetec-CUT/SP.

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