
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva concedeu, nesta terça-feira (22), entrevista à Rádio Passos, de Minas Gerais. Como sempre tem feito em seus recentes encontros com a imprensa, Lula falou sobre os principais temas da política nacional, como privatização, preço de combustíveis, inflação. A seguir um resumo dos principais temas abordados pelo ex-presidente.
Privatização da Eletrobrás
“Eu sou contra, o PT é contra e meu governo sempre foi contra a privatização das empresas públicas, das empresas estatais que tantos serviços prestaram ao povo brasileiro. A Eletrobras é uma empresa que pode servir para ser a reguladora do sistema elétrico no país, não permitindo o abuso do aumento da energia que estamos assistindo hoje no país. Os empresários que tiverem juízo devem contar até 10 antes de fazer a loucura de comprar a Eletrobras a preço de banana. O que aconteceu no TCU (Tribunal de Contas da União) foi um abuso. É importante que os trabalhadores do setor se manifestem. A gente ainda tem tempo de fazer pressão para que a Eletrobras não seja privatizada”.
Preço dos combustíveis
“Não existe nenhuma razão técnica, política ou econômica para que a Petrobras tenha tomado a decisão de internacionalizar o preço do combustível, a não ser para atender os interesses dos acionistas, sobretudo os de Nova Iorque. Por trás da Lavajato, nós tivemos 4 milhões e 400 mil pessoas que perderam emprego, R$ 270 bilhões que deixaram de ser investidos e deixamos de arrecadar de impostos R$ 58 bilhões. Por isso, eu tenho dito para todo mundo escutar: se a gente ganhar as eleições a gente não vai manter o preço internacionalizado. Sobretudo o preço do gás. Tem gente que está comprando lenha para poder cozinhar em pleno século 21. A gente vai transformar estes preços em preços no dinheiro brasileiro para que o povo possa usar sem ser achacado como é hoje”.
Inflação
“Está caro o arroz, está caro o feijão, está cara a mandioca, está caro o leite. O povo pobre tem uma inflação infinitamente maior que a da classe média, que a dos ricos. A inflação é uma desgraça na vida do povo trabalhador. Controlar a inflação é uma obrigação para garantir ao povo o seu poder de compra.”
Reforma trabalhista
“Nós tivemos uma reforma que foi uma destruição. Qualquer cidadão quando ouve falar em reforma acha que é uma coisa pra melhorar. Mas o que eles fizeram não foi reforma. É como se eles estivessem dinamitando os direitos que os trabalhadores vinham conquistando desde 1943 com a CLT (Consolidação das Leis do Trabalho). A gente quer juntar os empresários, os sindicatos, o governo, a universidade e discutir qual a legislação trabalhista que a gente quer para o momento que estamos vivendo.
Prometeram uma ponte para o futuro, cavaram um abismo e esqueceram de fazer a ponte, só ficou o buraco que o povo está caindo agora. Não queremos fazer nada na marra, o que queremos é discutir o que é bom para o Brasil, para o povo brasileiro, o que pode ajudar desde o trabalhador até o empresário. Trabalhador que trabalha em aplicativo não tem direito a nada. Não tem direito a descanso semanal remunerado, não tem direito a férias, não tem direito a 13º. Não tem nenhuma seguridade. Quando o carro bate é que ele percebe que está abandonado.
Nós queremos que o trabalhador seja efetivamente trabalhador, com carteira assinada, com jornada de trabalho e com descanso remunerado para poder cuidar da sua família. Esta é a discussão que queremos fazer para o mundo do trabalho no Brasil”.
Regulamentação da mídia
“A Internet, que é uma coisa extraordinária para o avanço da humanidade, tem que ter um limite. Porque a maldade tomou conta. Você não tem que falar de rede social, mas de rede digital, pois tem muitos aplicativos que não têm nada de social. As fake news do Bolsonaro, o que têm de social? Nada. Ninguém pode usar a Internet para contar mentira. Eu vou juntar os internautas, as pessoas que entendem e tentar fazer uma regulação civilizada”.
Educação
“É um trabalho quase revolucionário fazer investimento em educação no Brasil. Outro dia ouvi o ministro da Educação dizer que a universidade tem que ser para poucos mesmo. É esta mentalidade que fez a gente ficar atrasado, que fez com que o Brasil não fosse uma potência como os Estados Unidos ou a Alemanha”.

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