
O número de assassinatos de pessoas transexuais, no Brasil, cresceu mais de 10% em 2023 em relação ao ano anterior: foram 145 homicídios e 10 suicídios. Os dados são do Dossiê sobre assassinatos e violências contra travestis e transexuais em 2023, realizado pela Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra) e publicado nesta segunda-feira (29).
A pessoa mais jovem assassinada tinha apenas 13 anos. O perfil das vítimas, porém, é em sua maioria formado por mulheres trans negras e jovens, com cerca de 30 anos. A Antra chama a atenção para o fato de os assassinatos dessa população aumentarem, em contraste com a diminuição geral dos índices de violência.
O estudo ainda destaca que, pelo 15º ano seguido, o Brasil é o país em que mais pessoas trans são mortas de forma violenta. Em 2022, foram 131 assassinatos.
Para a secretária de Políticas Sociais da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), Elaine Cutis, é urgente que ações para reverter essa situação sejam tomadas. “Os números impactantes mostram que ainda temos muito a avançar”, diz a dirigente. “É essencial reforçar a conscientização e tomar medidas concretas para combater a discriminação e a violência contra a comunidade LGBTQIA+”, completa.
Violência contra LGBTQIA+
O Brasil continua entre os países mais violentos para a população LGBTQIA+. Dados do Grupo Gay da Bahia (GGB) revelam que 257 pessoas dessa comunidade foram assassinadas em 2023, incluindo 127 pessoas trans (travestis e transgêneros), 118 homens gays, nove lésbicas e três pessoas bissexuais. O total ainda pode chegar a 277, considerando 20 casos em análise pela ONG.
Os números do GGB coincidem com outros levantamentos, que também confirmam a persistência da violência. A cada 34 horas, o Brasil registra um assassinato de pessoa LGBTQIA+, tornando o país líder mundial em mortes dessa natureza pelo 14º ano consecutivo. Conheça mais detalhes sobre o estudo do GGB na reportagem do portal da CUT.
> Leia também: Visibilidade Trans: pelo fim dos assassinatos

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