
O Itaú anunciou, na última segunda-feira (26), um acordo para adquirir a NeoSpace, startup brasileira especializada em inteligência artificial (IA), por R$ 2,925 bilhões. A conclusão do negócio depende da aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e do Banco Central.
A NeoSpace desenvolve modelos avançados de inteligência artificial voltados à análise de grandes volumes de dados. Após a aquisição, a empresa deverá manter sua gestão e operação autônomas, com Bruno Pierobon permanecendo como CEO, além da continuidade das equipes e das atividades de pesquisa e desenvolvimento.
O Itaú e a NeoSpace trabalham juntos há quase dois anos no desenvolvimento de soluções de inteligência artificial generativa para áreas como crédito, gestão financeira, relacionamento com clientes e prevenção a fraudes.
Com a aquisição, o banco pretende ampliar a utilização dessas tecnologias em seus produtos, serviços e processos internos. A NeoSpace também deverá contribuir para o aprimoramento do ia.i, plataforma de inteligência artificial generativa do Itaú.
Avanço da inteligência artificial exige diálogo com o movimento sindical
O investimento bilionário do Itaú em inteligência artificial também reforça a importância do debate sobre os impactos das novas tecnologias no emprego bancário e nas condições de trabalho da categoria.
A crescente utilização de sistemas de inteligência artificial e a automação de processos têm potencial para transformar profundamente a organização do trabalho nos bancos, modificando funções, rotinas e a forma como diversas atividades são executadas.
Embora essas tecnologias possam contribuir para melhorar processos e ampliar a eficiência dos serviços, sua implementação também exige atenção aos possíveis efeitos sobre os postos de trabalho, a intensificação das atividades, as condições de trabalho e a necessidade de qualificação e requalificação profissional.
“Reconhecemos a importância do avanço tecnológico, mas ele precisa caminhar junto com o respeito aos direitos dos trabalhadores. Uma aquisição desse porte exige diálogo transparente com o Sindicato, principalmente para discutir os possíveis impactos sobre o emprego, as funções e as condições de trabalho. A inovação não pode ter como único objetivo aumentar a rentabilidade dos bancos. É necessário que seus benefícios também alcancem os trabalhadores, que contribuem diariamente para os resultados do Itaú”, ressalta a secretária geral do Sindicato dos Bancários de Araraquara e região, Andréia C. de Campos.

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