
Logo após o anúncio da nova presidenta da Caixa Econômica Federal, feito pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, na última sexta-feira de 2022, Maria Rita Serrano concedeu uma entrevista à Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal (Fenae), onde garantiu que a gestão do medo e de assédio será modificada por uma gestão mais humanizada.
Segundo a bancária, diretora da Fenae e de Administração do banco, a sua indicação representa um passo extremamente importante em relação à reconstrução do papel social do banco público. “A Caixa viveu uma crise reputacional, que com certeza nós vamos modificar isso, ao reconstruir o banco, [resgatar] o seu papel primordial de atender os interesses do país, atender os interesses da população e acabar de vez com a gestão pelo medo, valorizando os profissionais do banco, valorizando a carreira e voltando com a área de pessoas [...] para que de fato nós tenhamos uma valorização de todo esse processo de trabalho”, disse Rita.
Confira, a entrevista na íntegra:
Fenae - Rita, você tem dito que a Caixa, hoje, vive uma crise reputacional, como recuperar essa reputação do banco social?
Rita Serrano - Nós tivemos, nos últimos anos, eventos muito complicados, que causaram uma crise reputacional da Caixa, desde os casos de disseminação de assédio moral, dessa gestão pelo medo, implantada pelo governo Bolsonaro, [até] no serviço público, nas estatais e [principalmente] na Caixa, pelo ex-presidente da Caixa. E junto com isso veio esse escândalo vergonhoso para a história da Caixa, que são as denúncias de assédio sexual.
Além disso, a Caixa se dispôs ano passado para fazer um programa com toda a característica de programa eleitoral, que foi oferecer para a população um consignado do Auxílio Brasil. O que é um absurdo, porque você está endividando as famílias mais carentes, com uma taxa de juros alta... [de] um programa lançado pelo governo federal nas vésperas da eleição.
Então, a Caixa viveu uma crise reputacional, que com certeza nós vamos modificar isso, ao reconstruir o banco, [resgatar] o seu papel primordial de atender os interesses do país, atender os interesses da população e acabar de vez com a gestão pelo medo, valorizando os profissionais do banco, valorizando a carreira e voltando com a área de pessoas, as VPs (Vice-presidência) de Pessoas, para que de fato nós tenhamos uma valorização de todo esse processo de trabalho.
Fenae - Diante da gestão de assédio e medo, ocorrida durante os últimos quatro anos, o que os empregados, especialmente as mulheres, podem esperar de sua gestão?
Rita Serrano - Primeiro, o presidente Lula deu um passo extremamente importante, visto que eu serei a quarta mulher presidente da Caixa e a segunda de carreira – a primeira foi Maria Fernanda. E obviamente isso ainda é pouco. Quase metade do quadro de empregados da Caixa é composto por mulheres, mas quando nós olhamos as funções gerenciais ou cargos da alta administração, as mulheres continuam sendo a ampla minoria. Então, com certeza nós vamos voltar com os programas de equidade, de valorização da diversidade e vamos ampliar este processo de espaço para a diversidade e respeito à diversidade no banco.
Fenae - Como vai ser o relacionamento com as entidades representativas?
Rita Serrano - A relação com as entidades representativas dos trabalhadores vai ser uma relação de respeito. Obviamente, nós sabemos que infelizmente não conseguimos fazer tudo o que desejamos. A Caixa é um banco que tem que ter como foco a sua sustentabilidade e a sua integridade e isso, às vezes, limita as ações que a gente tenha com relação à pauta etc. Mas, eu quero garantir que [...] é fundamental a transparência, o diálogo, o processo de negociação [...] e de discussão da pauta dos trabalhadores.
Fenae - Como fica o Conselho de Administração?
Rita Serrano - Eu aceitei o convite do presidente Lula, antes de pedir permissão para os meus eleitores, porque eu fui eleita para o conselho. Mas, óbvio que era um convite irrecusável, uma tarefa grande, nós conhecemos o banco, eu conheço o banco. Nós todos fizemos este trabalho extraordinário de enfrentar esse governo e manter a Caixa íntegra; e entendo que era minha missão. Mas, eu quero garantir para vocês que a vaga no Conselho de Administração dos trabalhadores, continua sendo dos trabalhadores. Então, logo que [eu] tomar posse, as entidades sindicais, com certeza, vão discutir e preparar esse processo de nova eleição para um novo representante dos empregados da Caixa.

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