
A segunda mesa da 23ª Conferência Estadual dos Bancários contou com a participação do cientista social Moises Marques, doutor em Políticas Públicas (USP) e diretor Acadêmico da Faculdade 28 de Agosto, e de Dimitri Sales, Presidente do Condepe, Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana de SP, doutor em Direito Constitucional, Membro da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e consultor da Comissão Especial da Diversidade Sexual e Gênero do Conselho Federal da OAB.
Moisés Marques disse que o país vive um dos piores momentos de sua história. ‘O que estamos vivendo é um pesadelo. E contra o pesadelo temos que buscar sonhos’. O cientista político lembrou que o país volta a enfrentar a fome e a miséria como há 20 anos. ‘’São 117 milhões de pessoas em situação de insegurança alimentar e 20 milhões passando fome. Além disso, há previsão de a inflação bater os 7,5% e o desemprego chegar em 15%. É um dos piores cenários possíveis, com grande dificuldade de recuperação’’.
Por conta da pandemia, o cenário é caótico em grande parte do mundo. O professor informa que o único país com real crescimento econômico é a China e que no restante do mundo a conjuntura é incerta. ‘’Nos Estados Unidos, mesmo com auxílio de 1.500 dólares para os desempregados, não vemos a economia avançar’’.
O professor destaca que, em decorrência da crise econômica e do retrocesso em todos os setores, Bolsonaro tem a avaliação mais negativa de todos os tempos, chegando a 54%. Ele informa que 52% dos brasileiros têm expectativa pessimista para o final desse mandato e 63% percebem que a economia vai mal.
Golpe híbrido
Moisés também avalia que com o cenário negativo para Bolsonaro, com Lula liderando todas as pesquisas de intenção de votos para 2022, há sim a possibilidade de o atual governo tentar um golpe, que o cientista chama de "híbrido’’. "Bolsonaro sonha com um golpe clássico, com aparatos militares, como ocorreu em 64, mas os estrategistas dele pensam num golpe híbrido, usando a democracia para destruir a democracia, ou seja, atacando as instituições’’, explica.
Ferida social
Doutor em Direito Constitucional, Dimitri Sales disse que não basta combater Bolsonaro. “É preciso combater o bolsonarismo’’. E lembrou a famosa frase da ex-presidenta chilena Michelle Bachelet que sempre enfatiza como médica ‘’que não há cicatrização possível quando uma ferida não está limpa’’, referindo-se à ferida social deixada pelas ditaduras.
“Temos que discutir uma justiça de transição e de reparação. Incluindo reparações coletivas. Temos que responsabilizar os integrantes do governo Bolsonaro por todos os crimes que estão cometendo. Responsabilizar militares que compactuam com os crimes de corrupção na compra das vacinas’’, disse Dimitri, lamentando as mortes que poderiam ter sido evitadas na pandemia.
"As mais de 500 mil mortes do país fazem parte de uma ação programada para que se pudesse aguardar as compras fraudulentas e corruptas das vacinas’’. Para Dimitri, o país precisa encarar as mortes da pandemia como um crime contra a humanidade e exigir uma reparação histórica. "Não materializamos o luto nesse país. É uma ferida que ficará latejando eternamente. Como ocorreu com os mortos desaparecidos nas ditaduras. Isso vai promover um trauma coletivo’’.
O presidente da Condepe pressupõe que desde o golpe de 2016, que destituiu a presidenta Dilma Rousseff, a Constituição de 1988, não está mais em vigor. "O golpe extinguiu o Estado de Direito. É um espírito totalmente antagônico ao que havia em 88, quando passamos por um processo intenso de luta democrática no país, com uma Constituição que conseguiu trazer a melhor das vitórias, abarcando uma democracia mais concreta, permitindo o direito à diferença. Nossa Constituição não é perfeita, mas é primorosa. Sob o ponto de vista constitucional é o nosso principal instrumento’’.

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