
O Projeto de Lei 1043/2019, que libera a abertura de agências bancárias aos sábados e domingos voltou a tramitar na Câmara dos Deputados. A proposta já foi aventada diversas vezes no Congresso, tanto por meio de projetos de lei quanto por medidas provisórias encaminhadas pelo governo Bolsonaro, e foi derrubada graças à pressão dos trabalhadores e seus representantes sindicais.
Para o movimento sindical, a proposta visa atender os interesses do mercado financeiro. “Hoje, os bancos já obtêm lucros astronômicos com cobrança de metas absurdas dos bancários. Querem realizar essa mesma prática aos sábados e domingos para aumentar ainda mais seus lucros, sem pensar na saúde e nas condições de trabalho da categoria”, disse a presidenta da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), Juvandia Moreira. “É coisa deste governo, que governa só para os ricos. O objetivo é atender os interesses do mercado financeiro”, completou.
Para o secretário de Relações do Trabalho e responsável de acompanhar as pautas de interesse dos trabalhadores que tramitam no Congresso Nacional pela Contraf-CUT, Jeferson Meira, o Jefão, os deputados que apoiam a abertura dos bancos aos sábados desconhecem totalmente o cotidiano de trabalho da categoria e da legislação de segurança bancária, ou têm algum interesse oculto na aprovação da pauta.
“A pauta já surgiu no Congresso de diversas formas. Seja por projetos de lei, seja por medidas provisórias. Até mesmo colocadas como ‘jabutis’ em propostas sem qualquer ligação com o tema. Seja por sua ilegalidade, seja pela pressão exercida pelos trabalhadores, conseguimos derrubá-la. Mas o assunto, vira e mexe volta à pauta. Com certeza existem interesses escusos nisto”, ressaltou Jefão.
Acordos
O principal argumento de quem defende abertura dos bancos aos finais de semana é a necessidade de eventos que necessitem de serviços bancários nestes dias. Mas, a presidenta da Contraf-CUT lembrou, que para casos específicos, como a abertura durante eventos aos finais de semana e para o funcionamento de centrais de teleatendimento, já existem acordos específicos negociados com as entidades de representação dos trabalhadores e que, por isso, não há necessidade de alteração na lei.
“É mais uma mostra de desconhecimento do trabalho da categoria, ou de interesses escondidos por trás da mudança na lei. Talvez seja alguém que não trabalhe nem durante a semana que quer que os bancários trabalhem até aos finais de semana”, disse o secretário de Relações de Trabalho da Contraf-CUT.
“Mas, já derrubamos várias vezes a proposta. Contamos com a pressão de toda a categoria para conseguir mais uma vez”, concluiu Jefão ao convocar os bancários para acessar o site da Câmara e mostrar sua contrariedade com o projeto. “É só acessar o site da Câmara e clicar em ‘discordo totalmente’”, disse.

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