
O Banco Santander registrou lucro líquido gerencial de R$ 3,788 bilhões no primeiro trimestre de 2026, resultado 1,9% inferior ao obtido no mesmo período de 2025. Na comparação com o trimestre imediatamente anterior, a queda foi ainda maior, de 7,3%, já que o banco havia alcançado R$ 4,023 bilhões no quarto trimestre de 2025.
Como reflexo da redução no resultado, o retorno gerencial sobre o patrimônio líquido (ROE) anualizado caiu para 16,0%, retração de 1,4 ponto percentual em doze meses. Segundo o relatório do próprio banco, a queda do lucro está relacionada à redução de 0,7% na margem financeira, impactada principalmente pela piora da margem com o mercado, devido à sensibilidade negativa ao aumento da taxa de juros e aos menores resultados da tesouraria.
Apesar do desempenho no Brasil, o lucro global do grupo Santander atingiu € 3,56 bilhões no período, com crescimento de 12,5% em doze meses. O banco, entretanto, não detalhou qual foi a participação da operação brasileira nesse resultado.
Crédito cresce, mas inadimplência avança
A Carteira de Crédito Ampliada somou aproximadamente R$ 705,6 bilhões ao final de março de 2026, com alta de 3,4% em doze meses, embora tenha registrado leve queda de 0,4% em relação ao trimestre anterior.
O destaque positivo foi o financiamento ao consumo, realizado majoritariamente fora das agências e direcionado principalmente ao financiamento de veículos, que cresceu 14,2% no período. No segmento pessoa física houve retração de 1,1% em doze meses, com crescimento no crédito imobiliário (+10,6%) e no cartão de crédito (+9,1%), mas quedas expressivas no consignado (-15,5%) e no crédito rural (-12,6%).
Já no segmento pessoa jurídica, que avançou 4,3%, o saldo das grandes empresas cresceu 2,4%, enquanto pequenas e médias empresas apresentaram expansão de 9,9%.
A inadimplência acima de 90 dias chegou a 3,3% no primeiro trimestre de 2026, alta de 0,2 ponto percentual no trimestre e de 0,5 ponto percentual em doze meses. O aumento foi puxado tanto pela pessoa física — cuja taxa alcançou 4,9%, especialmente entre clientes de menor renda — quanto pela pessoa jurídica, com destaque para empresas de menor faturamento, cuja inadimplência atingiu 6,0%.
As despesas com provisões para devedores duvidosos (PDD) somaram R$ 5,828 bilhões. Embora tenham caído 7,7% em doze meses, cresceram 12,5% na comparação trimestral, acompanhando o aumento da inadimplência.
Tarifas cobrem quase o dobro das despesas com pessoal
As receitas com prestação de serviços e tarifas bancárias cresceram 5,7% em relação a março de 2025, totalizando R$ 5,783 bilhões. Já as despesas de pessoal, incluindo a Participação nos Lucros e Resultados (PLR), caíram 3,6% no período, somando R$ 3,074 bilhões.
Com isso, as receitas secundárias passaram a cobrir 188,1% das despesas com pessoal no primeiro trimestre de 2026, evidenciando que apenas a cobrança de tarifas já é suficiente para pagar quase duas vezes toda a folha do banco.
Menos trabalhadores e menos agências
Mesmo com expansão da base de clientes — que cresceu em 3,4 milhões em doze meses, alcançando 71,6 milhões — o Santander manteve a política de redução estrutural. A holding encerrou março de 2026 com 49.107 empregados, após o fechamento de 6.196 postos de trabalho em doze meses, sendo 554 apenas no primeiro trimestre deste ano. No mesmo período, foram fechadas 258 lojas e 225 postos de atendimento bancário (PABs).
O movimento acompanha a estratégia declarada pelo próprio banco de consolidar-se como uma plataforma financeira cada vez mais digital, reduzindo a presença física e o quadro funcional.
Trabalhadores seguem pagando a conta
Para a coordenadora da Comissão de Organização dos Empregados (COE) Santander, Ana Marta Lima, os números revelam uma contradição entre a estratégia do banco e as condições de trabalho dos bancários. “Mesmo com lucro bilionário e crescimento da base de clientes, o Santander continua reduzindo empregos e fechando unidades. Essa política aumenta a sobrecarga, piora o atendimento à população e adoece os trabalhadores. Não é aceitável que a busca por rentabilidade aconteça às custas de quem produz os resultados diariamente”, afirma.
A secretária de Relações Internacionais da Contraf-CUT e funcionária do banco, Rita Berlofa, também questiona as justificativas apresentadas pela instituição para a queda do lucro e da rentabilidade. Segundo a dirigente, os fatores apontados pelo Santander — como impacto dos juros e redução da margem financeira — afetaram igualmente os demais grandes bancos privados, que, ainda assim, mantiveram crescimento de resultados e rentabilidade.
“Isso nos leva a questionar o modelo de gestão adotado pelo Santander, marcado por terceirização desmedida, fechamento de postos de trabalho e redução dos pontos de atendimento ao público. Ao que tudo indica, esse modelo não está funcionando, e quem acaba pagando a conta são os trabalhadores e os clientes”, avalia.
Para Ana Marta Lima, os dados reforçam a importância da mobilização da categoria diante das próximas negociações coletivas. “Os bancários e bancárias garantem a expansão dos negócios e a digitalização do banco, mas não recebem o devido reconhecimento. É fundamental discutir emprego, condições de trabalho e valorização dos trabalhadores na mesa de negociação”, conclui.

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