Trabalhadores vão à negociação com a Fenaban para defender emprego bancário, combate à precarização e fechamento de agências
Campanha Nacional Unificada 2026: categoria aponta que enquanto setor celebra resultados bilionários, quem constrói os lucros enfrenta cortes de postos e fechamento de agências
Data: 06/07/2026 às 10:24
Fonte: Contraf-CUT

A segunda rodada de negociações da Campanha Nacional das Bancárias e dos Bancários 2026 para a renovação da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) está marcada para esta terça-feira (7), quando a categoria reivindicará da Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) a defesa do emprego bancário, contra a precarização do atendimento e o fechamento de agências.

"Os bancos seguem lucrando, mas continuam promovendo reestruturações no setor, com o fechamento de agências, transferência de atividades, ampliação de terceirizações e usando as novas tecnologias sem garantir a necessária proteção aos trabalhadores", destaca a coordenadora do Comando Nacional dos Bancários e das Bancárias, Juvandia Moreira.

Em 2025, os cinco maiores bancos obtiveram conjuntamente um lucro líquido de R$ 124 bilhões. Entre 2020 e 2025, os bancos públicos e privados registraram crescimento de 46% e 114%, respectivamente, no lucro líquido.

Entretanto, apesar desses resultados multibilionários, desde 2016 o setor eliminou mais de 83,5 mil postos de trabalho e, desde 2015, mais de 8,5 mil agências (queda de 37% na rede física).

A reestruturação, entretanto, não para na queda de agências e do atendimento humanizado e presencial aos clientes, mas inclui a precarização do emprego bancário, com aumento de terceirizando das atividades bancárias e de contratação de funcionários como PJs. "O serviço bancário deve ser feito por bancários, com direitos, segurança e qualidade no atendimento", reforça Juvandia Moreira.

O movimento sindical aponta também que os bancos estão concentrando ainda mais os lucros advindos dos processos de automação e usos de novas tecnologias, como a Inteligência Artificial. "As mudanças tecnológicas não podem significar demissão, sobrecarga, vigilância abusiva ou retirada de direitos. Por isso, a nossa pauta de reivindicações propõe uma comissão bipartite para acompanhar projetos de automação, reestruturação, novos equipamentos, acesso remoto e demais alterações no trabalho bancário", completa Juvandia.

Entre as reivindicações relacionadas ao emprego que a categoria irá levar para a mesa de negociações com a Fenaban estão:

- Garantia de emprego: proibição de demissões em massa e fim da rotatividade injustificada.
- Proteção nas reestruturações: mudanças por fusões ou tecnologia devem ser negociadas antes com o movimento sindical.
- Fim da terceirização: quem faz atividade bancária deve ser reconhecido como bancário, com todos os direitos da categoria.
- Tecnologia com proteção: criação de comissão para acompanhar a automação e impedir vigilância abusiva.
- Agências digitais também são bancos: direitos iguais e jornada regulada para quem trabalha em escritórios digitais.
- Mais contratações: número adequado de funcionários para reduzir filas, a sobrecarga e o estresse.
- Qualificação e inclusão: incentivo à formação de mulheres na TI e processos seletivos sem preconceito de raça, gênero ou idade.

#MovidosPeloEmprego: Dia Nacional de Mobilização

Na segunda-feira (6), véspera da mesa de negociação, a categoria realizará o "Dia Nacional de Mobilização em Defesa do Emprego", com atividades nas ruas e nas redes sociais.

Segundo o presidente do Sindicato dos Bancários de Araraquare  região,Paulo Roberto Redondo, a mobilização desta semana reforça que os bancos precisam assumir sua responsabilidade com os trabalhadores e com a sociedade. "É inadmissível que instituições que registram lucros recordes continuem reduzindo postos de trabalho e fechando agências, prejudicando empregados e clientes. Nossa luta é por mais contratações, atendimento humanizado e respeito à categoria, porque bancos são concessões públicas e também precisam cumprir seu papel social", enfatiza.

 

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