
A Caixa Econômica Federal teve um papel fundamental no aumento da bancarização do país nos últimos meses. Isso porque, em função da pandemia, medidas como o auxílio emergencial e o saque emergencial dos recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) fizeram com que muitos brasileiros passassem a ter acesso a uma conta bancária pela primeira vez, principalmente, por meio da Caixa.
Conforme dados do Banco Central veiculados em reportagem de sexta-feira (27) pelo jornal Valor Econômico, ao todo 67,8 milhões de pessoas foram contempladas com o auxílio e o saque do FGTS.
E movimentaram fintechs (startups que trabalham para inovar e otimizar serviços do sistema financeiro) e bancos digitais – que fizeram tudo para atrair estes usuários, com a criação de novos produtos e serviços.
Para se ter uma ideia do que representa esse aumento, o número de brasileiros com relacionamento bancário ativo chega hoje a 177 milhões. Em 2016, este número foi de 146,9 milhões de pessoas. Em 2017, aumentou para 153, 6 milhões e em 2018, para 164,6 milhões.
Mas foi a partir de 2019 que o crescimento decolou tendo registrado ampliação acentuada este ano. No ano passado foram 164,6 milhões os brasileiros que tiveram relacionamento bancário ativo, até chegar aos 177 milhões - um acréscimo de quase 13 milhões.
Além disso, os dados do Banco Central também constataram que, destes 13 milhões de pessoas, a maior parte ou 11,8 milhões iniciaram um relacionamento bancário no País no período entre março e outubro. Somente em relação ao auxílio emergencial, foram creditados no total R$ 256 bilhões nas contas de 67,8 milhões de brasileiros.
Papel social
Para o presidente da Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal (Fenae), Sérgio Takemoto, a Caixa Econômica Federal “está mostrando mais uma vez ao País a importância de ter uma empresa pública forte e voltada para o desenvolvimento social e econômico dos brasileiros”.
“Por trás dos volumosos números estão milhares de empregados da empresa que têm se esforçado nos últimos meses para assegurar o pagamento do benefício, que está amenizando os impactos econômicos da pandemia do coronavírus na parcela mais vulnerável da sociedade”, destacou o dirigente da entidade.
Takemoto lembrou que a diante da omissão do governo e dos bancos privados, a Caixa assumiu, sozinha, essa função e realizou o pagamento do auxílio emergencial. Além disso, o banco público “manteve, de pé, os outros programas que ajudam a população a enfrentar a crise”, acrescentou ele.
“Sanha privatista”
O presidente da Fenae ressaltou considerar um absurdo o fato de, apesar disso, o governo manter “a sanha de privatizar o banco, enfraquecendo seu papel social e comprometendo os investimentos públicos em desenvolvimento no Brasil”.
“Com a privatização a empresa deixa de ter o interesse social e da população e passa a trabalhar única e exclusivamente para os interesses dos acionistas, ou seja, o lucro a qualquer custo, sem se preocupar com o social”, frisou Sergio Takemoto, alertando para os riscos que a população terá caso essa venda siga adiante.
De acordo com o dirigente da Fenae, “situações inusitadas como a pandemia mostraram a importância de uma estatal como a Caixa Econômica para o Brasil”.

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