
Mais de duzentos economistas, banqueiros e empresários divulgaram carta aberta no último final de semana pedindo mais medidas de prevenção à covid-19 e distanciamento social, refutando o “falso dilema entre salvar vidas e garantir o sustento da população vulnerável”. A carta critica abertamente a gestão da pandemia pelo governo federal e propõe ações para o enfrentamento da crise. Chama a atenção, no entanto, a ausência de nomes do alto escalão do Santander no país entre os signatários, uma vez que bancos de grande porte como Itaú fazem parte da lista.
Na contramão da iniciativa, o presidente do Santander no Brasil, Sergio Rial, escreveu em suas redes sociais na sexta-feira (19) texto em que pede a reflexão “sobre o poder da liberdade”. A informação foi publicada na coluna Painel, da Folha de S.Paulo.
Numa mensagem controversa, Rial escreveu que “liberdade é também não temer tanto”, se referindo ao contexto em que “o pânico da ausência de ar e de morrer no seco se aproxima de todos nós”. Ele vai além: “E se for para ter medo, que seja o medo de perder a coragem”, disse em uma citação atribuída a Inês Saibert. “Algum medo nos fortalece, muito medo nos desumaniza”, completa Rial. No artigo, o presidente do Santander ainda diz que em sua vida ele não tem “muitas regras”. “Elas me diminuem naquilo que julgo ser a grandeza do humano: a ausência do limite”.
O país bate tristes recordes de óbitos diariamente (a média diária de mortes é de 2,2 mil, superando os Estados Unidos em casos) e, com isso, devemos chegar a 300 mil vítimas até o fim da semana.
O texto foi infeliz ante o momento de insegurança que vivemos. Ao invés de ele endossar o manifesto, preferiu divulgar uma mensagem duvidosa como essa. É o mesmo banco que se recusa a negociar com o movimento sindical sobre acordo de teletrabalho para brasileiros, apesar de os bancários da Espanha já terem seus direitos garantidos, e faz que idosos precisem se preocupar com sua previdência e plano de saúde em plena pandemia.
Carta aberta
O documento afirma, entre outros pontos, que a vacinação no país é lenta e que no ritmo atual, levaria mais de 3 anos para imunizar toda a população. Diz, também, que medidas como o lockdown deveriam ser consideradas com maior seriedade dado o cenário desolador. Aponta quatro propostas para vencer a crise: vacinação mais rápida, máscaras gratuitas e eficazes, coordenação nacional para tratar da pandemia e distanciamento social.
“O país pode se sair melhor se perseguimos uma agenda responsável. O país tem pressa; o país quer seriedade com a coisa pública; o país está cansado de ideias fora do lugar, palavras inconsequentes, ações erradas ou tardias”, pontua a carta.

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