
Assediados pelos bancos, é cada vez maior o número de trabalhadores e trabalhadoras que estão fazendo empréstimos para pagar com o dinheiro do saque-aniversário do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). Um exemplo é o Santander, que está oferecendo a seus correntistas a antecipação do saque-aniversário, com taxa de juros inicial para resgatar o valor de 1,69% ao mês. No pré-lançamento a nova linha de crédito atraiu 200 mil clientes, segundo o banco.
Os trabalhadores ignoram que, ao aderir ao saque-aniversário, quando forem demitidos não poderão sacar o saldo do fundo - norma estabelecida pela nova modalidade de saque - e, as taxas de juros cobradas pelos bancos, que podem contribuir para que se endividem mais ainda.
A corrida ao saque-aniversário preocupa o economista do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Clovis Scherer, que assessora a CUT no Conselho Curador do FGTS.
Essa modalidade de saque, explica o economista, pode até aliviar momentaneamente as dívidas, mas o trabalhador não poderá sacar o restante do seu Fundo de Garantia na hora em que vai mais precisar, que é quando for demitido e, portanto, estará desprotegido.
Trabalhadores já sacaram R$ 23 bilhões
De janeiro de 2020 a outubro de 2021, por meio do saque-aniversário, 16 milhões de trabalhadores e trabalhadoras sacaram R$ 23 bilhões das contas do FGTS. No ano passado inteiro os saques-aniversário somaram R$ 9,8 bi - valor aumentou em mais R$ 13,2 bilhões nos últimos 10 meses.
A projeção da Caixa Econômica Federal (CEF) é de que outros R$ 1,7 bilhão serão comprometidos no próximo mês. O índice desse tipo de operação já atinge mais de 15% do total dos R$ 11 bilhões retirados das contas do Fundo este ano por trabalhadores que sacam por demissão, ou utilizam o valor para comprar um imóvel, entre outras modalidades de saques.
O quadro de endividamento do trabalhador tende a piorar porque os juros bancários são altos e eles estão comprometendo a poupança (FGTS) que garantiria uma segurança futura em caso de desemprego.
Normalmente o saque-aniversário pode ser feito uma vez ao ano. Por exemplo, quem tem R$ 20 mil na conta pode retirar até 10% (R$ 2.000) mais R$ 1.900, o que totaliza R$ 3.900 ao ano.
No caso de empréstimos no mercado financeiro, o trabalhador pode comprometer até quatro saques-aniversário, o que totalizaria R$ 15.600. Ou seja, até aquele momento, 78% do seu Fundo de Garantia serão utilizados para pagar um empréstimo, sem contar os juros cobrados pela financeira.
Como cada financeira cobra um índice de juros, que não são baixos, o trabalhador que for demitido nesse período ficará praticamente sem nada.
“O trabalhador perde duas vezes, primeiro o direito de sacar o seu saldo se for demitido, e segundo vai pagar juros muito altos para os bancos em cima do valor que pediu emprestado”, alerta Scherer.
Segundo o economista, nos últimos meses virou febre propagandas de alienação fiduciária, e de gente criando serviços e ‘consultoria’ para ‘ajudar’ a antecipar os saques-aniversários.
“É um verdadeiro assédio, seja por meio de correspondência ou WhatsApp. É o canto da sereia, uma armadilha para o trabalhador que abrirá mão de uma proteção para quando perder o emprego”, ressalta Clovis Scherer.
Além da desproteção do trabalhador, os saques-aniversário podem provocar menos dinheiro no Fundo de Garantia, que aplica em habitação e saneamento básico, áreas que empregam milhares de pessoas.

Põe Mais Dinheiro Caixa! Afinal, o que é o teto?

COE Itaú entrega pauta de reivindicações ao banco no dia 1º de julho

Caixa volta atrás, atende Sindicato e decide abonar horas dos jogos do Brasil na Copa

CUSC cobra mais transparência e melhorias no atendimento durante reunião com gestores do Saúde Caixa

Super Caixa: participe da consulta e fortaleça a luta por mudanças no programa de remuneração variável

Bancários cobram soluções do INSS para entraves no acesso a benefícios previdenciários

Falta de segurança nos postos de atendimento do Mercantil coloca trabalhadores em risco

Banco do Brasil apresenta proposta insuficiente para recomposição das reservas da Cassi

Categoria bancária entrega minuta de reivindicações à Fenaban
Institucional
Diretoria
História
Conteúdo
Acordos coletivos
Galeria
Notícias