
A categoria bancária foi incluída na prioridade da vacinação contra a Covid-19 na terça-feira (6) após intensa campanha dos trabalhadores e seus representantes, e Pedro Guimarães, presidente da Caixa, apareceu em vídeo anunciando inclusão.
A luta teve início ainda em 2020, logo após a aprovação das primeiras vacinas no Brasil. Em 15 de dezembro, o deputado federal Ricardo Silva (PSB/SP), após solicitação dos trabalhadores, apresentou indicação ao Ministério da Saúde para que os bancários fossem incluídos entre os grupos prioritários no Plano Nacional de Vacinação.
Sindicatos, associações como a Apcef/SP, federações e a Contraf-CUT realizaram diversas ações para pressionar a administração federal. Em março um abaixo-assinado foi promovido e em abril a Fenae criou uma página exclusiva para a campanha “Vacina Já”. Em 27 de abril, os bancários da Caixa fizeram paralização em todo o país com pedido de devolver direitos tomados pela Gestão Pedro Guimarães como 1/4 da PLR social, e principalmente que a gestão se empenhasse em conseguir os empregados no PNI, ainda com o mote “Vacina Já”. Em maio houve também ato pedindo vacinação e ações para aplacar a fome que assola o país.
Com a mobilização, o movimento ganhou o apoio de governadores e deputados que acabaram propondo emendas solicitando que a categoria entrasse na lista prioritária. Algumas cidades, a partir do trabalho das entidades sindicais e associativas passaram a vacinar bancários a partir de junho. No Estado de São Paulo, a gestão Dória recebeu ofícios, além das prefeituras e algumas delas passaram a incluir bancários nas últimas duas semanas.
O tema também foi pautado pela representante dos empregados no Conselho de Administração da Caixa, Rita Serrano e recebeu o apoio da gestão de alguns municípios. Na ocasião, Pedro Guimarães, que também faz parte do Conselho de Administração, não se pronunciou a respeito.
Outro debate foi feito pelo Comando Nacional dos Bancários com a Fenaban, no entanto, nem todos os bancos aderiram prontamente e a direção da Caixa é um exemplo.
Apesar de os empregados da Caixa serem apontados como parte dos bancários que correm maior risco de exposição ao Covid-19, o presidente do banco chegou a declarar em uma entrevista ao jornal Valor Econômico que era normal que os trabalhadores ficassem doentes. Em outra ocasião Guimarães afirmou achar exagerada a reação das pessoas à pandemia. Em reunião ministerial em 2020, o presidente utilizou o termo “frescurada” ao se referir a medidas apontadas por autoridades de saúde, como distanciamento social, o que refletiu negativamente nas tratativas de home office das entidades com a gestão da Caixa, num claro movimento de alinhamento à narrativa do governo. Quanto o uso de máscara, Pedro Guimarães foi enfático ao afirmar que dispunha de 15 armas para que sua filha jamais fosse impedida de transitar sem máscara em ambiente público caso desejasse.
Ainda em junho, a CEE-Caixa apontou em mesa de negociação que o protocolo de prevenção Covid-19 no banco continuava a apresentar falhas e necessitava de melhorias. Guimarães não as conhece pois declarou à imprensa essa semana que quando um bancário fica doente, todo o grupo de colegas se afasta para que os que estão em casa venham para o local de trabalho. Isto simplesmente não se verifica mais desde pelo menos junho de 2020, quando o protocolo foi modificado.
Agora, com o anúncio da inclusão da categoria na prioridade da vacinação, Guimarães divulgou a notícia como uma conquista dos bancos e dele, e não dos empregados, esquecendo a própria postura diante da pandemia, mas os bancários da Caixa não se esquecem, e fizemos questão de registrar.

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