
A taxa básica de juros (Selic) em 13,75% tem criado problemas estruturais na economia, como quebradeira de empresas e entraves para a produção, gerados pela forte queda no crédito para o setor empresarial. A tendência é de crescimento do desemprego.
Mesmo com esse cenário recessivo, o Banco Central do Brasil (BC) parece insistir na política dos juros altos. A instituição informou que o crédito corporativo concedido em fevereiro foi de R$ 166 bilhões, 8,6% a menos que janeiro.
O próprio BC prevê que o quadro ainda deve piorar, “devido ao alto nível de endividamento do consumidor, taxas elevadas, perspectiva de abrandamento da atividade real e o surgimento recente de várias situações de dificuldade de crédito corporativo”.
Dados do BC também mostram que o crédito pelo sistema financeiro caiu 9,5%, de R$ 466 bi em janeiro para R$ 421,9 bi em fevereiro. Empréstimos a empresas encolheram 8,1% e foram de R$ 194 bi para R$ 178 bi.
Como lembra a presidenta da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) e vice-presidenta da CUT, Juvandia Moreira, “taxas civilizadas giram entre 2% e 3%, e juro tão alto assim é uma postura criminosa que acaba com o emprego e a renda e empobrece o trabalhador”.
Sinal amarelo
O setor varejista é o mais afetado até agora. Além do caso Americanas, que abalou o mercado de crédito corporativo, a cervejaria Petrópolis e a rede de modas Amaro pediram recuperação judicial.
O elevado custo do crédito pessoal aprofunda essa crise ao inibir compras financiadas. Os juros para pessoa física estão na casa dos 35%, mas o cheque especial bate os 130% e o rotativo do cartão, os 411%.
Quedas acentuadas nas vendas ao consumidor final preocupam, pois elas aumentam a dificuldade entre as empresas para fazer caixa, e o efeito dominó pode esfriar a economia ou até paralisá-la.
Sinal vermelho
As montadoras, fundamentais para a economia girar tanto quanto o setor varejista, também têm dado sinais de alerta. Em fevereiro e março, o segmento começou a dar férias coletivas a seus trabalhadores.
Os registros históricos mostram que, se o setor não se reaquecer, a próxima fase será de demissões. As vendas estão em ritmo baixo em especial pelas taxas de juros, que chegam a triplicar o valor do carro financiado.
Com a Selic alta, as previsões são pessimistas. A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), associação dos fabricantes, por exemplo, estima que a produção de veículos pesados em 2023 ficará em 154 mil unidades, 20,4% a menos que os 194 mil de 2022.
Efeito retardado
Na média, os juros do crédito para empresas estão entre 20% e 25%. Quando a Selic estava na faixa de 2% a 4%, como no período da pandemia de covid-19, esse custo ficava entre 10% e 15%.
Como durante a crise sanitária as empresas tiveram que tomar muitos empréstimos para se manter, o pagamento desses débitos no cenário de juros altos atuais tem prolongado e acentuado a crise no setor produtivo.
Para a presidenta da Contraf-CUT, Juvandia Moreira, manter essa política de juros elevados, com a Selic em 13,75%, é um boicote do BC ao Brasil. “Os juros precisam baixar para a economia crescer e gerar emprego e renda”.
Leia amanhã o terceiro e último texto da série, sobre os efeitos negativos dos juros altos no PIB brasileiro.

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