
O veto do presidente Bolsonaro ao projeto que previa a distribuição gratuita de absorvente para mulheres carentes recebeu críticas de vários setores da sociedade. O congresso aprovou o projeto que institui o Programa de Proteção e Promoção da Saúde Menstrual. O presidente, no entanto, vetou dois trechos: um que previa a distribuição gratuita de absorvente feminino para estudantes de baixa renda e pessoas em situação de rua e outro que incluía absorventes nas cestas básicas distribuídas pelo Sisan (Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional).
“Trata-se de uma questão de saúde física e psicológica. Queremos que o Congresso derrube o veto e devolva a dignidade e cidadania a essas mulheres e meninas. Até mesmo as lideranças do governo tinham concordado com o projeto, o que mostra que esse presidente é completamente insensível, tem desprezo pelas mulheres e pela população”, criticou a presidenta da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), Juvandia Moreira. A bancada feminina do Congresso já começou a se mobilizar para derrubar o veto presidencial ao trecho de um projeto de lei que previa a distribuição gratuita de absorvente menstrual. Quando questionado, o presidente argumentou que a proposta não indicava de onde sairiam os recursos para custear a ação.
“Bolsonaro só mostrou o quanto despreza as mulheres, principalmente as mulheres carentes, que não têm condições financeiras de comprar absorventes. É preciso dizer que a miséria que provoca esse drama para milhões de mulheres é fruto de um governo responsável pelo desemprego e pela inflação. Absorvente é um gênero de primeira necessidade. Esse veto é desumano, típico do Bolsonaro. É um governo contra o povo e contra as mulheres”, afirmou a secretária de Mulheres da Contraf-CUT, Elaine Cutis.
Mais de quatro milhões de jovens não têm acesso a itens de higiene básica nas escolas brasileiras quando estão no período menstrual, apontam relatórios do Fundo de Populações nas Nações Unidas e da Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância).
A chamada pobreza menstrual já fez 28% das mulheres brasileiras faltarem às aulas por não terem dinheiro suficiente para comprar o item de higiene, que pode ser comprado por menos de R$ 5. Os dados estão na pesquisa “Impacto da Pobreza Menstrual no Brasil”, encomendada pela indústria de absorventes e realizada pelo centro de pesquisas Toluna. Destas, 48% dizem que tentaram esconder o real motivo pelo qual faltaram à escola e 45% acreditam que sua ausência impactou negativamente seu desempenho escolar.

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