
O Sindicato dos Bancários de Araraquara e região manifestou preocupação ao Itaú em relação à ausência da participação da Consultoria de Pessoas no fluxo do programa de avaliação Evolui. Para os representantes dos trabalhadores, a retirada da área do processo abre margem para situações de favorecimento, perseguição e avaliações sem critérios transparentes.
O tema foi debatido na reunião entre o banco e a Comissão de Organização dos Empregados (COE) do Itaú, realizada em 28 de abril.
Superintendente é alvo de denúncia
Como exemplo que reforça a preocupação do movimento sindical, foi citado o episódio envolvendo uma denúncia contra uma superintendente. Embora o conteúdo da carta seja amplo, esse trecho chamou a atenção dos representantes dos trabalhadores.
“Ela, nos comitês do Evolui, tem sim criado a regra da regra, deixando vários ANs com 120% do Decola abaixo do esperado. Não podemos nos movimentar, ela diz: ‘tenho uma região para tocar e não vou liberar vocês’”, aponta um trecho.
Segundo informações apresentadas na reunião, o banco já tinha conhecimento da denúncia e informou que havia uma apuração em andamento.
Bancários questionam avaliações
Após a liberação dos feedbacks do Evolui, diversos bancários passaram a relatar dificuldades em compreender os motivos das avaliações recebidas, consideradas incompatíveis com os resultados apresentados ao longo do ciclo.
O Sindicato também foi informado de que a denúncia acabou sendo considerada improcedente após análise interna realizada com Diretoria, GRNAs e GGAs. Ainda assim, segundo relatos, houve reconhecimento de que alguns ANs foram direcionados para a performance “abaixo do esperado”.
Na avaliação do Sindicato, a ausência de critérios objetivos compromete a credibilidade do modelo.
“Quando o processo de avaliação não apresenta parâmetros objetivos e transparentes, é natural que surjam dúvidas e insatisfações. Os trabalhadores acabam sem saber, de fato, quais critérios são debatidos e definidos nas reuniões reservadas entre gestores e superintendentes”, explica Andréia C. de Campos, secretária geral do Sindicato.
Metas elevadas não garantem avaliação acima do esperado
Outro caso que gerou repercussão entre os trabalhadores foi o de um gerente avaliado como “dentro do esperado”, mesmo após conquistar o DOBRAI, o GERA e a viagem para a Croácia.
Os questionamentos surgem justamente porque, mesmo diante de resultados expressivos, o profissional não foi considerado ‘acima do esperado’. Afinal, o que é necessário para alcançar essa classificação?
Sindicato pede critérios objetivos e transparência
Para o Sindicato, o processo avaliativo precisa ser baseado em indicadores objetivos, como GERA, Decola, NPS e SQV, reduzindo a subjetividade nas avaliações.
A subjetividade abre espaço para distorções, especialmente quando avaliações abaixo do esperado passam a ser utilizadas para impedir movimentações internas ou até subsidiar desligamentos.
De acordo com relatos recebidos pelo movimento sindical, muitos bancários descrevem o processo como uma espécie de “calibração política”, em que avaliações e decisões podem ser influenciadas por interesses particulares.
Sindicato cobra mudanças no Evolui
Diante das denúncias e dos questionamentos apresentados pelos trabalhadores, o Sindicato cobra do Itaú:
- Retorno da participação presencial da Consultoria de Pessoas nas reuniões de avaliação;
- Comunicação clara e transparente sobre o funcionamento do processo avaliativo;
- Eliminação de critérios subjetivos;
- Explicações detalhadas e fundamentadas quando houver avaliações “abaixo do esperado”.
Para a entidade, o modelo atual precisa ser revisto com urgência.

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